A porta do quarto bateu com um clique definitivo. Clara girou a chave na fechadura, o som metálico selando a única barreira que ela podia erguer contra ele. Ela se encostou na madeira fria, o corpo tremendo, e escorregou até o chão.
Do lado de fora, Arthur ouviu a fechadura. Ele ficou parado por um momento, a mão erguida como se fosse bater, mas a deixou cair, frustrado. Ele se afastou e pegou o celular.
Sua voz para a assistente, Renata, era um gelo cortante.
—Aquela reserva de restaurante. Quero o nome de todos os homens que estavam na sala privada com a Dra. Mendes. Quero saber tudo sobre eles. Agora.
Na manhã seguinte, a Sra. Fátima bateu suavemente na porta do quarto de Clara.
—Dona Clara? O Sr. Montenegro pediu para avisar que a senhora não precisa ir ao hospital hoje. Pediu para que descanse.
Descansar. Era uma ordem disfarçada de preocupação. Uma tentativa de escondê-la, de conter o dano.
Enquanto isso, o telefone de Arthur tocou. Era Isabela.
—Querido, estou tão preocupada! — sua voz era um sussurro de ansiedade. — A Clara... ela chegou bem em casa ontem? Ela parecia tão... descontrolada.
—Ela está bem. — a resposta de Arthur foi curta, desprovida de detalhes. — Tenho uma reunião agora, Isabela.

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