Semanas depois, Arthur estava mais forte. Ele havia sido transferido da UTI para um quarto privativo, e a fisioterapia já havia começado.
Nina o visitava todos os dias. As conversas deles eram leves, focadas na recuperação dele, nas notícias do dia. Ele falava de seus planos para o futuro, e em todos eles, ela estava presente.
Ela, por sua vez, nunca mencionava o divórcio. Nunca mencionava a família Queiroz. Para ele, ela ainda era Clara Mendes, sua esposa.
Um dia, enquanto ela o ajudava com o almoço, ele pegou a mão dela.
— Case-se comigo de novo.
A pergunta a pegou de surpresa.
— Nós já somos casados, Arthur.
— Não. — ele balançou a cabeça, a expressão séria. — Eu quero fazer direito desta vez. Uma cerimônia de verdade, uma lua de mel. Eu quero te dar o mundo que eu deveria ter te dado desde o início.
As palavras eram as mesmas que ela sonhou em ouvir por seis longos anos. Mas agora, elas soavam como um eco em um salão vazio.
Ela gentilmente retirou a mão da dele.
— Arthur, nós precisamos conversar.
Ela contou a ele. Não tudo. Não a crueldade, não os detalhes sórdidos. Mas ela contou o essencial.

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