Enquanto Arthur lutava com seus fantasmas de memória, um milagre silencioso acontecia em outro andar do hospital.
Nina passava a maior parte de seus dias ao lado da cama de Thiago. Ela lia para ele, conversava com ele, colocava fones de ouvido com suas músicas favoritas, recusando-se a aceitar o prognóstico dos médicos.
Guilherme estava sempre lá, um apoio silencioso e constante. Ele havia mobilizado os melhores especialistas em reabilitação neurológica do mundo. Fisioterapeutas moviam os membros de Thiago, impedindo a atrofia. Terapeutas da fala estimulavam seus sentidos.
Aline, a mãe deles, passava horas apenas segurando a mão do filho, cantando canções de ninar de sua infância.
Foi em uma tarde chuvosa de terça-feira. Nina estava lendo um artigo científico em voz alta, mais para si mesma do que para ele, quando sentiu um aperto.
Fraco. Quase imperceptível.
Ela parou de ler, o coração disparado. Olhou para a mão de Thiago, que estava segurando a dela.
— Thiago?

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