De volta à prisão dourada do apartamento, a trégua forçada se desfez. Naquela noite, ele a tomou novamente.
O ato não teve a gentileza hesitante da última vez. Foi uma reafirmação de posse, uma punição por sua proximidade com Pedro.
Clara não lutou. Ela se dissociou. Deixou seu corpo para trás e viajou para um lugar em sua mente onde ele não podia alcançá-la. Sua passividade, seu silêncio, eram uma forma de resistência que o enlouquecia.
Depois, enquanto ele dormia, ela se levantou e foi para o quarto de hóspedes.
No meio da noite, o celular dele, deixado na mesa de cabeceira, tocou. Era Isabela.
Clara, que passava pela porta, ouviu a voz dele, sonolenta e irritada.
— O que foi agora, Isabela?
Ela ouviu o choro do outro lado da linha.
— Arthur... é o Enzo... ele caiu da cama e bateu a cabeça. Ele está com febre... eu não sei o que fazer!

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