Arthur observou o carro de Clara desaparecer na noite, uma sensação de frustração o corroendo por dentro. Ele a tinha de volta sob seu teto, mas ela estava a milhas de distância, trancada em uma fortaleza de indiferença que ele não sabia como invadir. A força não funcionava mais. O dinheiro era inútil. Pela primeira vez em sua vida, Arthur Montenegro se sentia completamente impotente.
Enquanto ele se afogava em sua própria frustração, Isabela Ferraz executava a próxima fase de sua guerra particular. Ela encontrou Enzo em seu quarto, brincando silenciosamente com seus carrinhos.
— Querido, venha aqui. A mamãe precisa ver o seu joelho.
Ela se ajoelhou e levantou a perna da calça do pijama do menino. Um hematoma feio e amarelado manchava a pele delicada. Um hematoma que ela mesma havia feito, dias antes, em um acesso de raiva quando ele se recusou a cooperar em um de seus planos.
Um lampejo de pânico passou por seus olhos. Amanhã eles iriam para a mansão Montenegro para o almoço. Dona Helena, com seus olhos de águia, certamente notaria.
Seu pânico rapidamente se transformou em uma crueldade calculista. Ela segurou o rosto do filho, os dedos apertando suas bochechas com força.
— Escute bem, Enzo. — ela sibilou, a voz um veneno suave. — Amanhã, na casa da vovó Helena, você vai se comportar. Você não vai correr, não vai pular e não vai falar sobre como conseguiu esse machucado.

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