Sofia Reis, a jovem enfermeira que Isabela havia ameaçado semanas antes, não conseguia dormir. A culpa e o medo a corroíam.
Ela viu Isabela conversando com a nova estagiária. Ela viu o envelope. E seu instinto lhe disse que algo terrível estava para acontecer.
Ela não ousou confrontar Isabela diretamente. Mas também não podia ficar em silêncio.
Na manhã da cirurgia, ela agiu. Ela escreveu uma nota em um pedaço de papel de receituário, a letra disfarçada. Dobrou-a e, quando ninguém estava olhando, a deslizou por baixo da porta do vestiário de Clara.
"Cuidado com a anestesia. Verifique o frasco. Cada detalhe."
Quando Clara encontrou o bilhete, um calafrio percorreu sua espinha. Era um aviso. E ela sabia que devia levá-lo a sério.
Na sala de cirurgia, a atmosfera era de uma calma tensa. A equipe se movia com uma precisão silenciosa. Do outro lado do vidro, na sala de observação, estavam Arthur, o Sr. Costa e Isabela.
A cirurgia começou. Clara estava totalmente focada, o mundo se reduzindo à delicada paisagem do cérebro humano.
— Pressão arterial estável. — disse o anestesista. — Preparando a próxima dose de Propofol.
Ele pegou um novo frasco do carrinho, preparado pela estagiária trêmula.

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