O funeral foi um evento sombrio e chuvoso. Clara, vestida de preto, ficou ao lado de sua mãe, o rosto uma máscara de autocontrole, recebendo os pêsames dos vizinhos e amigos.
No meio do serviço, duas figuras indesejadas chegaram. A tia-avó de Thiago e sua avó paterna, a mesma mulher que havia vendido a neta anos atrás. Elas não vieram para lamentar. Vieram para saquear.
— Agora que o Geraldo se foi, — a tia-avó disse, a voz alta e sem um pingo de tristeza, — imagino que a casa e a pequena empresa de construção dele devam ser divididas. Como parentes de sangue mais próximos...
— Fora. — a voz de Clara era baixa, mas cortou o ar.
— O que você disse, sua órfã ingrata? — a avó zombou.
— Eu disse para saírem do funeral do meu pai.
A tia-avó riu. — Seu pai? Você não tem pai. E você não tem direito a nada aqui. Nós vamos cuidar da Aline.
Elas se moveram em direção à Aline, que chorava silenciosamente.
Clara se moveu mais rápido.
Ela caminhou até a pequena mesa onde as frutas e facas para os convidados estavam dispostas. Ela pegou a maior faca de frutas.
E se virou para encará-las, a lâmina brilhando na luz fraca.
— Eu disse. — sua voz era um silvo gelado. — Para. Saírem. Daqui.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Seis Anos em Vão