A decisão de Arthur selou o destino de Geraldo Mendes.
Enquanto a ambulância partia em alta velocidade, levando Enzo e uma Isabela "inconsolável", Geraldo ficou no chão do café, a vida se esvaindo a cada segundo precioso que passava.
Uma segunda ambulância chegou dez minutos depois. Dez minutos tarde demais.
Eles tentaram ressuscitá-lo no caminho para o hospital. Mas o dano era irreversível.
Geraldo Mendes foi declarado morto na chegada.
Quando Clara chegou ao hospital, correndo pelos corredores, uma sensação terrível de pavor em seu coração, não foi para a UTI que a levaram. Foi para o necrotério.
A sala era fria, silenciosa e cheirava a produtos químicos.
Seu pai estava deitado em uma mesa de metal, coberto por um lençol branco.
Um enfermeiro puxou o lençol.
O rosto de seu pai estava pálido e pacífico. Mas estava sem vida. Frio. Partido.
Um som escapou da garganta de Clara. Um som que não era humano. Era o som de uma alma se partindo.
Ela caiu ao lado do corpo, a cabeça no peito frio dele, e o luto que ela segurou por tanto tempo, por seu irmão, por seu casamento, por sua vida, finalmente a consumiu.

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