O que aconteceu em seguida foi um borrão de horror.
Isabela arrastou o filho chorando escada acima. Aline e Geraldo a seguiram, implorando para que ela se acalmasse.
No topo da escada, havia uma pequena varanda com vista para o salão principal do café.
— Fiquem longe de mim! — Isabela gritou, encurralada contra o parapeito.
Sua mente, afogada em ciúme e humilhação, viu apenas uma saída. Uma maneira de criar o caos. Uma maneira de se tornar a vítima final e inquestionável. Uma maneira de incriminar os pais de Clara.
Ela olhou para o próprio filho. E não viu uma criança. Viu uma ferramenta.
Com um movimento frio e deliberado, ela empurrou Enzo por cima do parapeito.
O corpo pequeno do menino caiu no ar por um segundo que pareceu uma eternidade, antes de atingir uma mesa de vidro no andar de baixo com um som terrível de vidro se quebrando e um baque surdo.
O silêncio chocado do café foi quebrado pelo grito de Isabela. Mas não era um grito de dor de uma mãe. Era um grito de acusação.
— ELES EMPURRARAM MEU FILHO! — ela gritou, apontando para Aline e Geraldo, que a encaravam, paralisados de horror. — SOCORRO! ELES MATARAM MEU FILHO!
O caos explodiu. Alguém chamou uma ambulância. Outro alguém chamou a polícia.
Arthur Montenegro chegou em minutos, convocado pela ligação frenética de um gerente de café. Ele viu seu filho, pequeno e imóvel, em uma poça de sangue e cacos de vidro.

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