— O que você quer de nós? — perguntou Geraldo, a voz hostil, o corpo tenso como uma corda.
Isabela tirou os óculos escuros, e os olhos que os encaravam eram frios e desprovidos de qualquer simpatia. Ela gesticulou para as cadeiras vazias. — Sentem-se. Acho que temos um inimigo em comum.
Hesitantes, eles se sentaram.
— Eu quero que vocês saibam a verdade sobre a mulher que vocês chamam de filha, — Isabela começou, a voz um silvo venenoso. — Ela não é a santa que vocês pensam. Ela é uma destruidora. Ela se infiltrou na minha vida e roubou o homem que eu amo. Ela se meteu entre mim e o Arthur quando éramos felizes.
Geraldo e Aline se entreolharam, confusos.
— Se não fosse por ela, eu seria a Sra. Montenegro hoje. E vocês... — ela os olhou de cima a baixo com um desprezo mal disfarçado — ...vocês teriam o prestígio, a segurança. Mas, em vez disso, por causa da ambição dela, vocês são apenas os pais da amante.
A palavra "amante" estalou no ar. Foi o insulto que finalmente quebrou a barragem de medo e submissão de Aline Mendes. Por anos, ela viveu à sombra do medo de seu marido, do poder dos Montenegro, da vergonha de seus segredos. Mas insultar sua filha, a filha por quem ela sentia uma culpa avassaladora, despertou algo feroz dentro dela.
— Você está enganada. — A voz de Aline era baixa, mas carregada com a força de uma vida inteira de dor reprimida.
Isabela riu, um som condescendente. — Ah, estou? Por favor, me ilumine.

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