No quarto de hotel, Pedro Rocha se vestiu em silêncio. Isabela o observava da cama, uma mistura de satisfação e impaciência no olhar.
— Lembre-se do nosso acordo, Pedro. — ela disse, a voz um ronronar perigoso. — Nós a usamos para separar o Arthur de vez daquela família, para quebrar o espírito dele. Mas você não a machuca de verdade.
Pedro se virou, o sorriso charmoso de volta no lugar, mas os olhos estavam frios. — Não se preocupe, Isa. Eu nunca machucaria a Clara.
— Eu preciso dela inteira para a minha parte do plano. — ele acrescentou, enigmaticamente.
A menção de um "plano" que ia além do dela fez Isabela sentir um calafrio, mas ela o ignorou.
Enquanto isso, na mansão Montenegro, a vida de Clara continuava a ser um campo de batalha silencioso. Naquela manhã, antes de um almoço em família, Arthur a encurralou no corredor.
Em sua mão, ele segurava duas pequenas caixas de veludo. Ele abriu uma, revelando a aliança de casamento de Clara.
— Coloque. — ele ordenou.
— Por quê?
— Porque meu pai e minha avó estão na sala de estar. E nós vamos desempenhar o papel de um casal feliz. — ele disse, a voz não admitindo discussão.
Com os dedos rígidos, ela pegou o anel e o deslizou de volta no dedo. A sensação era estranha, um peso familiar e indesejado.

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