O restaurante que Pedro escolheu era discreto e elegante, com mesas à luz de velas e uma atmosfera íntima.
— Fico feliz que tenha aceitado meu convite. — disse ele, o sorriso caloroso.
— Eu precisava de uma pausa de... tudo. — admitiu Clara.
O jantar foi a coisa mais próxima da normalidade que Clara experimentara em meses. Pedro era um conversador brilhante. Eles falaram sobre medicina, arte, viagens. Ele a fez rir. Ele a ouviu.
Por algumas horas, ela se permitiu esquecer Arthur, Isabela, o divórcio, o hospital. Ela se sentiu como uma pessoa normal, não como uma peça em um jogo de xadrez doentio.
— Vamos? Eu te levo para casa. — disse ele, no final da noite.
Eles saíram do restaurante e pararam na calçada, esperando o manobrista trazer o carro de Pedro. A noite estava fria, e a rua, relativamente quieta.
De repente, o som de um motor acelerando rasgou o silêncio.
Dois faróis brilhantes surgiram do final da rua, vindo em direção a eles em alta velocidade. Uma motocicleta.
Clara se virou para o som, os olhos se arregalando. A moto não estava na pista; estava subindo na calçada, diretamente em sua direção.

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