Júlia Montenegro estava passando pelo corredor do escritório de sua avó quando ouviu vozes. Curiosa, ela parou, encostando o ouvido na porta pesada de madeira.
A voz de sua avó era clara. "...nunca deveria ter forçado aquele casamento."
E então, a voz de Clara. "Não se culpe, vovó. Falta pouco. Em menos de dois meses, meu acordo com Arthur termina, e o divórcio será finalizado. Todos nós seremos livres."
Divórcio.
Júlia levou a mão à boca, os olhos arregalados de choque. Ela nunca imaginou que Clara realmente teria a coragem de ir até o fim. Ela achava que tudo não passava de um drama para chamar a atenção.
Ela correu para o escritório de Arthur, que estava trabalhando na mansão naquele dia. — Arthur! Você não vai acreditar no que eu ouvi!
— O que foi agora, Júlia? — ele perguntou, sem paciência.
— A Clara! Ela estava dizendo para a vovó que vai se divorciar de você em dois meses! Que ela vai ser "livre"!
Ele a encarou, a expressão indecifrável.
— Eu sei. — ele disse, simplesmente.
— Você sabe?! E não vai fazer nada?! Vai deixar aquela mulher te abandonar? Depois de tudo que nossa família deu a ela?

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