Clara olhou para o homem vulnerável e bêbado à sua frente. Uma parte dela, uma parte que ela pensava estar morta, sentiu uma pontada de pena.
Mas a nova Clara, a estrategista, viu uma oportunidade.
— Eu faço a sopa. — ela disse, a voz calma.
Ele a olhou, surpreso pela concordância fácil.
— Em troca, — ela continuou, — você vai ligar para o diretor do Hospital da Colina amanhã de manhã. Você vai garantir que a equipe de fisioterapia que está cuidando do Thiago seja a melhor do país. E vai pedir um relatório diário sobre o progresso dele, entregue diretamente a você.
Ele a encarou, a mente bêbada tentando processar. Ela estava negociando.
— Feito. — ele concordou, mais rápido do que ela esperava.
Ela foi para a cozinha. O ato de cozinhar a sopa para ele era familiar, mas o sentimento era completamente diferente. Não era mais um ato de amor. Era o cumprimento de um contrato.
No dia seguinte, o clã Montenegro se reuniu para o almoço na mansão. A atmosfera ainda estava tensa desde a festa de Dona Helena.

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