O beijo de Arthur era uma punição, uma tentativa de subjugá-la pela força. Mas a mulher que ele estava beijando não era mais a mesma que se encolhia em seu desprezo.
Clara parou de lutar fisicamente. Em vez disso, ela ficou completamente imóvel, fria e sem resposta sob o ataque dele. Sua passividade era uma arma mais poderosa do que qualquer resistência. Tornou o beijo dele um ato solitário e patético.
Ele finalmente a soltou, ofegante, a frustração queimando em seus olhos. Ela não havia cedido. Ele não havia vencido.
— Quem você pensa que eu sou, Arthur? — ela perguntou, a voz baixa e trêmula de raiva contida. — Você me beija com a boca que sorri para a sua amante? Você me toca com as mãos que a seguram? Quem você pensa que eu sou? A Isabela?
A pergunta o atingiu com força. Ele a encarou, sem palavras.
Finalmente, ele se afastou, passando as mãos pelo cabelo em um gesto de pura exasperação. Ele não conseguia entendê-la. Não conseguia mais controlá-la.
— Esteja em casa às dez. — ele disse, a voz um comando áspero. Era a única forma de controle que lhe restava.
Ele saiu do salão, batendo a porta.

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