O convite chegou em um envelope de marfim, com o brasão imperial em relevo dourado. Era o baile de gala anual de caridade da Família Real, o evento social mais exclusivo do ano, a ser realizado no restaurado Palácio Imperial de Petrópolis.
— Minha família é uma das patrocinadoras. — Guilherme explicou a Clara. — É um evento terrivelmente chato, mas minha presença é obrigatória. E eu preciso de uma acompanhante.
— Eu? — Clara riu. — Guilherme, eu não pertenço a esse mundo.
— Bobagem. — ele disse, com um sorriso. — Você pertence a qualquer lugar que queira. Por favor, diga que sim. Seria muito mais suportável com uma amiga ao meu lado.
Ela acabou concordando.
Na noite do baile, uma equipe de estilistas e maquiadores, enviados por Guilherme, desceu sobre o apartamento de Clara. Horas depois, quando ela se olhou no espelho, mal se reconheceu.
Ela usava um vestido de gala de um azul profundo, da cor do céu noturno, que caía em uma cascata de seda. O vestido era elegante e discreto, mas o corte realçava sua figura de uma forma que a fazia parecer uma estátua esculpida. Um colar de diamantes, emprestado por Guilherme, brilhava em seu pescoço.

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