A eletricidade no ar do salão de baile era tão espessa que podia ser cortada com uma faca. Arthur Montenegro, ignorando todos os outros, caminhou diretamente para o centro da tempestade: Clara.
Ele parou na frente dela, de Guilherme e de Pedro. Seu movimento foi deliberadamente desajeitado. Ele esbarrou em Clara, fazendo com que o vinho na taça dela derramasse um pouco na lapela de sua camisa branca.
— Oh, veja só o que você fez. — ele disse, a voz um ronronar baixo e provocativo, enquanto pegava um guardanapo para limpar a mancha inexistente. Era uma desculpa para tocá-la, para invadir seu espaço.
— Não foi nada. — disse Clara, tentando se afastar.
Antes que ela pudesse recuar, Guilherme Queiroz deu um passo à frente, sua presença calma, mas inabalável, bloqueando o avanço de Arthur. — Acredito que foi um acidente, Sr. Montenegro.
Ao mesmo tempo, Pedro Rocha também se moveu, posicionando-se sutilmente ao lado de Clara. — Exatamente. Coisas acontecem. Não há necessidade de criar uma cena.
Três dos homens mais poderosos do país estavam agora em um impasse silencioso, no meio do evento social mais importante do ano, todos por causa de uma mulher. A tensão era deliciosa para os espectadores.

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