A fúria de Dona Helena era uma força da natureza. Todos congelaram.
— Arthur! — ela gritou, a voz ecoando pelo jardim. — Leve esta... esta mulher para fora da minha propriedade. Agora. E você, Júlia, para o meu escritório.
Arthur, pela primeira vez, hesitou em obedecer à avó. Ele olhou para Isabela, que tremia em seus braços, a imagem da vulnerabilidade.
— Vovó, ela está ferida. Ela foi atacada.
— Eu não me importo! — Dona Helena retrucou. — Eu não a quero em minha casa! Você me ouviu?
A teimosia de Arthur, sua necessidade de proteger Isabela, venceu. Ele lançou um olhar sombrio para Clara e depois, desafiando sua avó, ajudou Isabela a se levantar e a levou em direção à saída lateral, ignorando a ordem dela.
Dona Helena observou a cena, a decepção e a raiva endurecendo suas feições.
Enquanto o drama se desenrolava, Lívia, a mãe de Arthur, se aproximou de Clara, envolvendo uma toalha seca em seus ombros trêmulos.
— Venha, querida. Vamos para dentro. Você precisa se aquecer.
Pela primeira vez, a voz de sua sogra continha uma genuína compaixão.
Dentro da casa, enquanto Clara bebia um chá quente, Lívia sentou-se ao seu lado. — Eu vi o que aconteceu. — ela disse, suavemente. — Eu vi para quem ele nadou.
Clara apenas assentiu, incapaz de falar.
Lívia suspirou, um som cheio de uma tristeza antiga. — Homens podem ser tolos, Clara. Especialmente quando a culpa os cega.

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