O som do duplo mergulho e dos gritos atraiu a atenção de todos. Arthur, que estava na varanda, foi o primeiro a reagir.
Ele viu duas cabeças na água. Isabela, que estava mais perto da borda, tossindo e cuspindo água. E Clara, mais longe, se debatendo em pânico.
Ele não pensou. Ele reagiu.
Ele correu e mergulhou na água, nadando com braçadas fortes.
Mas ele não nadou em direção a Clara.
Ele nadou em direção a Isabela.
Clara, que nunca aprendeu a nadar, sentiu o pânico gelado tomar conta dela. A água enchia sua boca, seus pulmões queimavam. Ela viu o vulto de seu marido nadando para longe dela, em direção à outra mulher.
A traição foi mais fria e mais sufocante do que a própria água. Ela estava se afogando. E ele a havia abandonado para morrer.
Quando seus membros começaram a ficar pesados e sua visão a escurecer, um braço forte a envolveu. O jardineiro da mansão, um homem corpulento, a havia alcançado e a estava puxando para a segurança.
Na margem, o caos reinava.
Arthur ajudou uma Isabela soluçante e trêmula a sair da água. Júlia correu para cobri-la com uma toalha.
— Foi ela! — gritou Júlia, apontando para Clara, que estava tossindo e vomitando água, amparada pelo jardineiro. — A Clara empurrou a Isa na água! Eu vi tudo!

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