O silêncio que se seguiu à provocação de Heloísa foi pesado e desconfortável. Lívia, a mãe de Arthur, parecia prestes a dizer algo para salvar as aparências, mas foi Arthur quem quebrou o silêncio.
Ele pousou os talheres com um clique deliberado. — Nós não estamos com pressa, tia Heloísa.
Todos se viraram para ele, surpresos.
— Clara e eu concordamos que queremos nos concentrar em nossas carreiras por enquanto. — ele continuou, a voz calma e firme, um contraste chocante com seu silêncio anterior. — Quando decidirmos ter filhos, vocês serão os primeiros a saber.
Ele estendeu a mão por cima da mesa e, para o choque completo de Clara, pegou a mão dela. O toque era firme, uma declaração de unidade.
Era uma mentira, claro. Uma mentira completa. Mas era a mentira deles. Pela primeira vez, na frente de sua família, ele a havia incluído, a havia defendido.
Heloísa ficou sem palavras, e a conversa na mesa mudou apressadamente para um tópico mais seguro.
Mais tarde, no quarto de hóspedes que sempre era designado a eles na mansão, a trégua evaporou. O quarto era grande e luxuoso, com uma enorme cama de dossel no centro.

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