Dentro do cubículo de luxo do provador, Clara se sentia estranhamente poderosa no vestido vermelho. Era uma cor que ela nunca ousaria usar, tão ousada e cheia de vida.
A porta do provador se abriu de repente, sem aviso. Arthur entrou, fechando-a atrás de si. O espaço pequeno de repente ficou sufocante.
— O que você está fazendo? Saia! — ela disse, o coração disparado, tentando cobrir o decote do vestido com as mãos.
— Eu paguei pelo vestido. Acho que tenho o direito de ver como ficou. — ele disse, a voz rouca.
Ele a encurralou contra o espelho, as mãos de cada lado de sua cabeça. Ele olhou para o reflexo dela, os olhos escuros percorrendo cada curva que o vestido revelava.
— Você sabe o que esse vestido faz com um homem, Clara? — ele sussurrou, o hálito quente em sua nuca. — Ele o faz querer rasgá-lo.
O celular dele tocou, o som estridente quebrando o feitiço. Ele praguejou baixo e se afastou para atender. — Mãe? Sim, estamos a caminho.
O momento foi quebrado.
Na mansão da Família Montenegro, o ar era rarefeito, pesado com o cheiro de dinheiro antigo e expectativas não ditas.

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