Capítulo 178
Rúbia
A casa estava diferente.
Não era só o cheiro das flores ou os balões azuis e brancos espalhados pelos cantos — era o ar.
Leve, vivo, cheio de uma alegria que parecia tocar até as paredes.
Assim que entramos, uma salva de aplausos e risadas tomou conta do hall.
“Bem-vindo, Andrew!”, dizia o letreiro pendurado sobre a lareira.
Riley correu pra me abraçar, o pequeno Theodore dormindo tranquilo nos braços do Luca, que olhava a cena com aquele ar de quem tenta parecer sério, mas está completamente bobo.
— Ele é lindo, Rúbia. — Riley sussurrou, me abraçando com força. — Parabéns.
— Obrigada. — respondi, com a voz trêmula. — Eu ainda nem acredito que ele tá aqui.
Derrick estava logo atrás, com Andrew nos braços, o peito estufado de orgulho.
Nunca o vi sorrir tanto — e de um jeito tão... leve.
Aquele homem que já enfrentou o inferno agora parecia um menino segurando um tesouro.
Mia veio correndo — ou quase, tropeçando nos próprios passos, as mãozinhas abertas como se fosse abraçar o mundo.
Parou bem na frente do pai e do irmão.
— Bebê! — anunciou, apontando pra Andrew, o rosto inteiro iluminado.
Todos riram. Ela começou a falar algumas palavras, é uma gracinha.
Derrick se abaixou, deixando o pequeno mais perto dela.
— Devagar, princesa. — disse, enquanto ela tentava tocar a manta.
Mas Mia não quis só tocar — quis brincar.
Pegou um chocalho da cesta de presentes e, com toda delicadeza do seu jeito desajeitado, balançou perto da orelhinha de Andrew.
O bebê fez uma careta, depois abriu a boquinha num bocejo preguiçoso.
Mia olhou pra ele, séria, e então bateu palminhas, toda feliz.
— Dorme! — disse, com a voz arrastada.
Riley quase caiu de tanto rir.
— Acho que ela acabou de mandar o irmão dormir.
— Parece o pai mandando soldado descansar depois da guerra. — Luca comentou, divertido.
Derrick riu, o olhar brilhando de orgulho.
— Essa é a chefe do pequeno. — respondeu, beijando o topo da cabeça dela.
Eu observava os três — Derrick, Mia e Andrew — e sentia um calor gostoso dentro do peito.
Era como se, pela primeira vez em muito tempo, o lar estivesse completo.
A festa estava linda.
Docinhos em formato de ursinho, um bolo de três andares com o nome Andrew em dourado, luzes suaves refletindo nas cortinas brancas.
Riley organizou tudo com a ajuda dos empregados.
— Você não vai levantar da cama pra isso — ela tinha dito.
Mas agora eu entendia o que ela planejava.
Era mais que uma festa. Era uma celebração da vida.
Enquanto conversávamos, Luca se aproximou com Theodore acordado no colo.
— Ele não desgruda de mim — comentou, rindo. — Acho que puxou o ciúme da mãe.
Riley o cutucou de leve.
— Mentiroso. Foi você quem não quis deixar ninguém segurar.
Ela podia ser pequena, mas já era irmã mais velha de alma.
— Derrick... — chamei, baixinho, emocionada.
Ele olhou pra cena e apenas sorriu, aquele sorriso raro que só aparece quando ele esquece o mundo.
Mais tarde, quando os convidados começaram a ir embora, a casa ficou num silêncio sereno.
Riley e Luca se despediram:
— Se precisarem de qualquer coisa, liguem — ela disse. — Mesmo que seja só pra mostrar o quanto o Andrew cresceu.
— Eu vou cobrar. — prometi.
Ficamos sozinhos.
Mia dormia no sofá, as mãozinhas ainda grudadas no bichinho de pelúcia que ganhou de Riley.
Andrew respirava devagar, no berço portátil ao lado.
Derrick se aproximou por trás, passando o braço pela minha cintura.
— Consegue acreditar que tudo isso é nosso? — perguntou, com a voz baixa, encostando o queixo no meu ombro.
— Não. — respondi, sorrindo. — E ao mesmo tempo... sempre foi pra ser.
Ele beijou minha têmpora, o olhar fixo nas duas crianças.
— A gente passou pelo inferno. Mas olha só...
— Voltamos com o céu. — completei.
— Falando nisso, vou receber uma excelente indenização do médico que adulterou o resultado dos meus exames.
— Que bom! De alguma forma aqueles dois precisam pagar.
— E vão. A própria vida se encarrega de castigar e presentear quem merece. É só olhar ao nosso redor. Pra quê mais que isso pra provar?
— Você tem razão... — sorri. Não precisamos de mais nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Roubada no altar pelo chefe da Máfia