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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 164

Capítulo 164

Rúbia

— Eu fui atrás de entender aqueles exames, Rúbia. Minha ex falsificou tudo. Ela teve ajuda do médico do laboratório. Já entrei com o processo.

Arqueei as sobrancelhas.

— Então não matou a moça?

Derrick me olhou de lado.

— Não.

— Estranho. — soltei baixo, mas ele ouviu. — Quando íamos nos casar, você dizia que se alguém te enganasse, você mesmo enterraria. Que me mataria fácil. E agora, que descobriu que te destruíram com uma mentira, resolveu ser misericordioso?

Ele sorriu. Aquele sorriso torto, perigoso.

— Está com ciúmes? — Senti um susto interior estranho.

— Não. É apenas uma comparação.

Ele se aproximou devagar, ainda segurando a Mia, e encostou o rosto no meu pescoço.

O toque dele queimou a pele. Me fez arrepiar.

— Senti sua falta — sussurrou. — Me deixa sentir seu cheiro um pouquinho.

"Não!" — minha alma gritou.

Mas meu corpo inteiro ficou imóvel.

Eu deveria empurrá-lo, dizer que não, que era cedo demais. Mas fiquei ali sentindo ele encostar o nariz e depois dar um beijo.

Mia começou a rir no colo dele, e o som da risada dela dissolveu qualquer resistência.

Virei imediatamente e comecei a mexer no armário.

Derrick começou a falar com a bebê sobre brinquedos e mamadeiras, mudando de assunto do jeito dele — leve, quase distraído, como quem tenta esconder o que sente atrás de um sorriso.

— E quem é que tomou toda a mamadeira hoje, hein? — perguntou, ajeitando a menina no colo. — Foi você? Essa mocinha gulosa aqui?

Ela respondeu com um balbucio indecifrável, as mãozinhas se mexendo no ar. Ele sorriu, tocando o nariz dela com o dedo.

— Ah, então foi você mesma. Nem nega, olha essa carinha de culpada.

A pequena tinha uma das mãozinhas segurando a gola da camisa dele, e a mamadeira caída no lençol.

A respiração dos dois se misturava, e o quarto parecia outro lugar — menos pesado, mais humano.

Me apoiei na porta, olhando os dois.

— Ah… e agora? — murmurei, mais pra mim do que pra qualquer um.

A verdade é que eu não sabia.

Entre o ódio e a ternura, entre a lembrança de quem ele foi e o homem que agora dormia com a filha no peito, eu não sabia mais onde começava o amor… e onde terminava o medo.

Me aproximei devagar, ajeitei a mamadeira para que não molhasse o lençol e passei a mão de leve no cabelo da Mia.

Derrick abriu os olhos só um pouco — e me olhou daquele jeito que desmonta qualquer muro.

— Nem pense em falar nada. Eu não vou voltar pra casa… estou morrendo de sono — murmurou, antes de fechar os olhos de novo.

Fiquei ali, em silêncio, sem saber se o que me tremia por dentro era raiva… ou dúvida.

"E agora? Deito do outro lado?"

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