Florence, finalmente conseguindo respirar, estava coberta de suor frio. Sua voz saiu entrecortada:
— Eu… Minha mão…
Lucian parou de repente, ofegante. Os músculos de seu pescoço pulsavam visivelmente enquanto ele se apoiava para erguer a mão dela e inspecioná-la.
Florence, no entanto, aproveitou o momento para virar-se de repente e se enrolar completamente no cobertor, criando uma barreira entre eles.
Lucian ficou parado por um instante, mas não demonstrou irritação. Em vez disso, deitou-se ao lado dela, ainda enrolada no cobertor, e, com um movimento firme, a puxou para mais perto, junto com o tecido. Ele apoiou a cabeça na mão, inclinando-se para que sua voz rouca soasse diretamente no ouvido dela:
— Quantas vezes você acha que pode fugir?
Florence queria responder, mas seu corpo não permitia. Apenas aquele breve conflito havia drenado o restante de suas forças.
Ela ouviu a voz de Lucian parecer cada vez mais distante, até que sua consciência foi engolida pela escuridão.
…
No meio da noite, a febre de Florence voltou com força. Ela estava confusa, sua mente vagava em um estado nebuloso. Pensou que, se Lucian quisesse fazer algo contra ela, não teria forças para resistir.
Mas ele não fez nada. Pelo contrário, durante toda a noite, Florence sentiu como se alguém estivesse constantemente monitorando sua febre, passando a mão em sua testa para conferir sua temperatura.
Ela se perguntou se aquilo era apenas um delírio causado pela febre ou uma fantasia de sua vida passada, quando desejava desesperadamente ser cuidada e protegida.
…
Quando acordou na manhã seguinte, Lucian não estava ao seu lado. Florence sentiu um aperto no estômago e percebeu que precisava ir ao banheiro imediatamente. Sem pensar em mais nada, levantou-se e correu para o banheiro.
No entanto, ao abrir a porta, ficou paralisada com o que viu. Lucian estava tomando banho.
O choque quase a fez esquecer a urgência que sentia. Ela se virou rapidamente, tentando sair, mas, antes que pudesse, ouviu o som da porta do quarto se abrindo. Instintivamente, ela fechou a porta do banheiro atrás de si.
Do lado de fora, a voz de Daphne ecoou:
— Lucian, eu trouxe café da manhã para você. Já está acordado?
Embora fosse considerada uma "intrusa" na família Avery, Bryan e Lyra sempre cuidaram bem dela. Bryan, particularmente, mimava Florence. Se ouvia falar que outras jovens ricas faziam tratamentos de beleza, ele fazia questão de providenciar o mesmo para ela e Lyra.
Lyra, por sua vez, sempre a arrastava para salões de beleza ou spas. Com o tempo, Florence desenvolveu uma pele impecável, macia e luminosa, com um tom rosado natural que parecia brilhar sob a luz do banheiro. Era um tipo de beleza que atraía olhares, mesmo que involuntariamente.
Os olhos de Lucian escureceram enquanto ele estudava cada detalhe. Sua respiração ficou mais pesada, e ele a pressionou ainda mais contra a porta. Sua voz saiu baixa e rouca:
— O que exatamente não é apropriado?
Florence lançou-lhe um olhar irritado. “Tudo isso não é apropriado!” Ela pensou, mas não ousou dizer em voz alta.
A mão de Lucian, que ainda estava apoiada na porta, começou a deslizar lentamente. Seus dedos traçaram o contorno da nuca de Florence e desceram pelas costas. O tecido molhado não era mais uma barreira; o toque dele parecia direto contra a pele dela.
O calor da palma dele era como fogo, e Florence sentiu a mente começar a girar. Ela tentou se afastar, mas a proximidade era sufocante.
— Lucian… — Ela tentou protestar, mas sua voz saiu fraca, quase um sussurro.
A mão dele permaneceu firme, explorando cada centímetro de suas costas. Florence sentiu-se vulnerável, como se cada toque estivesse gravado em sua pele. A tensão no ar era quase insuportável, e sua mente parecia prestes a explodir.

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