— Lucian? Lucian! — A voz de Daphne ficou cada vez mais próxima do lado de fora.
O corpo de Florence ficou tenso, e uma fina camada de suor surgiu em sua testa. Só de imaginar Daphne entrando e vendo os dois naquela situação, ela se sentiu completamente apavorada.
Daphne era astuta, dissimulada e sabia manipular qualquer situação. Se ela testemunhasse aquilo, jamais deixaria Florence em paz. E o pior: Lucian sempre a defendia. Ele era incapaz de ir contra Daphne. Diante disso, Florence sentia que não tinha a menor chance.
Ela segurou o braço que Lucian usava para explorar seu corpo, tentando detê-lo. Sua voz saiu em um tom urgente e suplicante:
— Tio, por favor, pare. Você ama a Daphne.
Florence esperava que aquilo fosse suficiente para trazer Lucian de volta à razão. Mas, para sua surpresa, ele não apenas ignorou suas palavras como intensificou seus movimentos. Sua mão deslizou para dentro da roupa dela, e a ponta de seus dedos traçou caminhos que enviaram ondas de arrepio por todo o corpo de Florence.
Ele aproximou os lábios do rosto dela e murmurou, com a voz rouca:
— Você me chamar de "tio" nesse momento tem um gosto especial.
Florence ficou ruborizada de tanta vergonha e raiva. Desesperada, decidiu agir por impulso. Com um movimento brusco, ela chutou a porta com força.
O estrondo ecoou pelo quarto.
Do lado de fora, Daphne parou, hesitando antes de bater levemente na porta.
— Lucian? Você está aí?
Florence prendeu a respiração. Ela não conseguia acreditar que Lucian, que dizia amar Daphne, permitiria que ela visse algo assim. Afinal, o coração dele sempre esteve ao lado de Daphne.
Mas o riso baixo de Lucian quebrou seus pensamentos, e o som a encheu de um medo profundo. Ele parecia se divertir com o desespero dela. O rosto dele se aproximava cada vez mais, e os olhos dele, carregados de um perigo velado, a encaravam intensamente.
— Lucian? — Daphne chamou novamente.
De repente, um som rasgou o ar. A camisa de Florence desabou em pedaços.
Ela arregalou os olhos de puro choque e rapidamente envolveu o próprio corpo com os braços, tentando se cobrir. Sua roupa ainda estava na secadora, e ela não tinha nada por baixo.
Lucian nunca a amou. Ele gostava do corpo dela, e nada mais. Por oito longos anos, Florence suportou esse tormento.
De repente, algo dentro dela se rompeu. Ela se livrou da vergonha e abriu os olhos, encarando-o com uma fúria silenciosa.
Do outro lado da porta, Daphne continuava batendo.
— Lucian? Está tudo bem?
Cada batida na porta ressoava nos ouvidos de Florence como um lembrete de sua vulnerabilidade. O som da maçaneta girando fez seu coração disparar.
— Lucian? — A voz de Daphne soou novamente, cada vez mais próxima.
O homem à sua frente não parou. Pelo contrário, ele deslizou a mão, com o anel no dedo, até o canto dos olhos dela. O gesto parecia ao mesmo tempo provocador e insultante.
Os olhos de Lucian estavam carregados de uma intensidade predatória. Ele inclinou o rosto, pronto para aprofundar o beijo. Foi então que Florence viu a marca de mordida no pescoço dele.

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