Depois de falar, Florence seguiu direto para o quarto de hóspedes.
Lucian, por sua vez, permaneceu na sala. Ele tragou o cigarro com calma, enquanto servia mais uma xícara de café para si mesmo. Ao dar o primeiro gole, franziu as sobrancelhas. Pegou o pote de grãos de café que estava ao lado e ficou olhando para ele, pensativo.
…
No meio da noite, Florence acordou com uma crise de tosse. Sua garganta estava seca e irritada, e, quando tentou se levantar, sentiu o quarto girar.
Ela se apoiou na parede, caminhando devagar até a cozinha para pegar um pouco de água. Depois de muito esforço, conseguiu beber, mas sua cabeça parecia ainda mais pesada.
Ela tentou dar mais alguns passos, mas as pernas fraquejaram. Antes de tocar o chão, sentiu um par de braços firmes segurá-la, levantando-a no ar.
— Como você pode ter um corpo tão fraco assim?
A voz familiar a fez congelar. Florence, carregando as memórias de sua vida passada, começou a tremer.
— Não… Não me toque… Eu errei… Eu errei… Por favor, não me machuque. — Ela murmurou, com a voz embargada, enquanto agarrava a camisa de Lucian com força.
Lucian escutou os ossos dos dedos dela estalarem pelo excesso de pressão. Era a mesma sensação de quando ela perdeu o controle no hospital. Ele franziu o cenho e, sem dizer mais nada, a carregou até o quarto principal.
Ao colocá-la na cama, Florence começou a se debater ainda mais. Suas unhas arranharam o peito de Lucian, deixando três marcas vermelhas profundas.
— Flor... Flor... — Ele a chamou, tentando acalmá-la.
— Não! Não! — Florence abriu os olhos repentinamente e o encarou com um olhar cheio de pânico. Antes que ele pudesse reagir, ela mordeu seu pescoço com força.
O gosto metálico do sangue invadiu sua boca, enquanto seu corpo ainda tremia, como se lutasse contra algo invisível.
Lucian apenas franziu as sobrancelhas, sem afastá-la. Ele suportou a dor em silêncio até que Florence, exausta pela febre, desmaiou. Pequenos filetes de sangue ainda escorriam de seus lábios.
Com cuidado, Lucian limpou o rosto dela com os dedos. Seu olhar ficou sombrio e perigoso.
Depois que Florence finalmente se acalmou, ele se levantou e pegou uma toalha para limpar sua própria ferida no pescoço. Em seguida, ligou para Cláudio.
— Sr. Lucian, no que posso ajudar? — A voz do motorista soou do outro lado da linha.
Ele inclinou a cabeça, segurou o rosto dela e colocou o comprimido entre os próprios lábios antes de pressionar os dele contra os dela.
O remédio foi empurrado para dentro, e Lucian sentiu o gosto levemente metálico do sangue. Era estranho, mas ele não rejeitou. Pelo contrário, havia algo intrigante naquele gosto.
Florence, mesmo inconsciente, soltou um leve murmúrio de protesto. Com a voz fraca, ela parecia uma pequena gata ferida. O som suave e rouco despertou algo dentro de Lucian, como um leve arrepio que ele não conseguia ignorar.
Ele segurou os pulsos dela com firmeza, mas ainda assim sentiu que não era suficiente. Sem pensar duas vezes, ele a pressionou contra a cama, aprofundando o beijo.
Florence sentiu como se algo a estivesse sufocando. Um peso invisível parecia esmagá-la, roubando seu fôlego. Instintivamente, ela trincou os dentes, tentando bloquear Lucian.
Mas Lucian, com a calma de quem sabia exatamente o que estava fazendo, deslizou os dedos até o queixo dela. Com um leve aperto, ele a forçou a abrir a boca, aproveitando o momento para tomar controle novamente.
— Hm… — Florence tentou protestar, mas sua voz foi abafada, transformando-se em pedaços de som que desapareceram entre os lábios de Lucian.
Ela tentou empurrá-lo com as mãos, mas seus movimentos fracos só pareciam provocá-lo ainda mais. Lucian, incapaz de conter o desejo, deixou que seus lábios traçassem um caminho até o pescoço dela.

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