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Renascida para a Vingança: O Preço do Amor e da Traição romance Capítulo 30

Ao voltar para a universidade, Florence empurrou a porta do dormitório e encontrou o quarto vazio. Parecia que as colegas haviam saído para entrevistas, algo que comentaram no grupo de mensagens.

Ela abriu o armário e começou a vasculhar suas coisas, mas, antes de pegar o que queria, uma voz soou atrás dela:

— Flor.

Florence parou o movimento e, ao se virar, viu Rosana correndo em sua direção. Antes que Florence pudesse reagir, Rosana começou a se dar tapas no próprio rosto.

— Flor, me desculpa! Tudo isso foi culpa minha! Eu estava desesperada por dinheiro, e o João disse que seria algo simples, só postar umas coisas na internet usando sua conta. Eu acreditei! Você sabe como minha mãe sempre diz que pagar minha faculdade é um desperdício. Foi por isso que eu fiz isso! Por favor, tenha pena de mim!

Enquanto falava, Rosana continuava a se bater, tentando arrancar alguma comoção de Florence. Seus olhos marejados e palavras carregadas de culpa buscavam manipular a situação.

Florence, no entanto, permaneceu imóvel, fingindo estar atônita. Observou Rosana se estapeando por alguns instantes, até que o rosto dela ficou visivelmente vermelho e inchado. Só então, com frieza, Florence ergueu uma mão.

— Já chega. Agora não adianta mais nada.

Ela abaixou o olhar, passando os dedos pela mão machucada, como se buscasse consolo.

Rosana, ao perceber o gesto, arregalou os olhos.

— Flor, o que aconteceu? Sua mão está machucada? Você não vai poder competir, vai?

Florence a encarou de soslaio, suspirando pesadamente antes de responder com voz fraca:

— O médico disse que minha mão dificilmente voltará a ser como antes. Acho que não poderei participar da competição.

Ela deixou a mão cair ao lado do corpo, como se estivesse sem forças. Pelo canto do olho, Florence percebeu o sorriso malicioso de Rosana, que, por um instante, brilhou em seu rosto antes de ser rapidamente substituído por uma expressão de falsa preocupação.

— Não pense assim, Flor. Vai dar tudo certo. — Disse Rosana, com uma voz afetada de empatia.

— Espero que sim. — Respondeu Florence, com um sorriso amargo. — Estou cansada. Preciso descansar um pouco.

Rosana concordou rapidamente e saiu do quarto.

Florence encostou-se ao travesseiro, observando a porta se fechar. Um sorriso discreto surgiu em seu rosto.

Rosana com certeza iria correr para avisar Daphne. Era exatamente isso que Florence queria.

Com a competição se aproximando, ela precisava evitar qualquer erro. Soltar uma pista falsa era o melhor jeito de desviar a atenção e preparar o golpe final contra Daphne.

No final de semana, Florence voltou para Águas Serenas.

Ao chegar, viu duas figuras descendo de um carro próximo à entrada da casa. Reconheceu imediatamente Melissa Nunes, viúva do filho mais velho da família Avery, e Ronaldo Avery, seu filho.

Melissa estava impecável. Sua elegância discreta era quase palpável. Usava roupas simples, mas sofisticadas, com um único acessório: um anel de pedras preciosas, antigo e luxuoso. Todos sabiam que aquele anel era uma lembrança de seu falecido marido, um símbolo de amor que ela nunca tirava do dedo.

— Sra. Melissa. — Cumprimentou Florence, aproximando-se.

Melissa sorriu gentilmente.

— Florence, você sempre tão formal. Já disse que não precisa ser tão distante.

— Certo. — Respondeu Florence, com um leve sorriso.

Enquanto conversavam, Ronaldo se aproximou.

— Flor, sua mão está melhor?

Florence levantou os olhos e viu o rosto de Ronaldo, que era tão familiar e reconfortante. Ele vestia um terno cinza claro, perfeitamente ajustado, e sua postura exalava gentileza e elegância.

Ronaldo era um dos poucos membros da família Avery que sempre a tratavam com carinho.

Na vida passada, ele havia lhe feito uma pergunta que ela nunca esqueceu:

— Flor, vem comigo, tá bom?

Mas naquela época, Florence estava tão presa nas armadilhas de sua vida que não teve coragem de aceitar. Ela temia arrastá-lo para o mesmo abismo que a consumia.

Pouco tempo depois, Ronaldo e Melissa desapareceram repentinamente. Presa ao lado de Lucian, Florence só ouviu rumores sombrios sobre o que havia acontecido com eles. Desde então, nunca mais tiveram contato.

Agora, ao reencontrá-lo, uma onda de emoções tomou conta dela. Mas, no fim, ela apenas sorriu com sinceridade.

— Estou bem, irmão.

A palavra "irmão" saiu carregada de afeto, como se fosse um alívio finalmente poder chamá-lo assim.

O sorriso de Ronaldo era caloroso, como um leve toque de primavera.

— Fico feliz em ouvir isso.

— Ele pagou a fiança para sair da prisão e foi direto para a cama com uma mulher. Passaram a noite juntos, mas alguém tirou fotos e descobriu que a mulher tem HIV. Ele perdeu o tempo ideal para tomar os medicamentos preventivos.

Florence ficou momentaneamente surpresa. Aquilo realmente parecia um golpe do destino. Gabriel, que sempre usou as mulheres como ferramentas de prazer, agora estava à beira de um sofrimento que parecia mais cruel que a prisão ou mesmo a morte.

— Bem, acho que isso é o que chamam de karma. — Murmurou Florence, pensativa.

Ainda assim, a coincidência era grande demais para ser apenas obra do acaso. Antes que pudesse refletir mais sobre o assunto, Theo entrou no cômodo.

Dessa vez, surpreendentemente, ele não criou nenhum conflito. O clima estava inusitadamente harmonioso.

No entanto, a paz foi quebrada quando um dos parentes da família Avery olhou para Daphne e perguntou casualmente:

— Daphne, ouvi dizer que você vai representar sua universidade na competição. Como estão os preparativos?

Daphne, com um sorriso confiante, respondeu sem hesitar:

— Meu projeto está praticamente concluído.

— Não é à toa que o Lucian escolheu você. Um talento nato, realmente. Não é qualquer pessoa que pode competir com isso.

As palavras foram seguidas de olhares discretos, mas carregados de desdém, lançados na direção de Florence. Era evidente que alguns presentes não perdiam a oportunidade de menosprezá-la.

Florence, porém, já estava acostumada. Aquela atitude não a afetava mais.

Para sua surpresa, Ronaldo colocou o guardanapo na mesa, limpou calmamente os lábios e, com um sorriso leve, interveio:

— Pessoas que participam de competições assim certamente têm muito talento. Por exemplo, a Flor. Ela sempre teve um dom para o design. Desde pequena, já se destacava. Lembro que, na época da faculdade, várias pessoas queriam comprar os direitos autorais dos projetos dela. O futuro dela é muito promissor.

As palavras de Ronaldo foram como um golpe silencioso. Os sorrisos de Daphne e dos bajuladores ao redor congelaram imediatamente. A tensão ficou evidente, mas ninguém teve coragem de retrucar.

Florence olhou para Ronaldo com gratidão. Ele respondeu com um sorriso simples, e os dois trocaram um olhar de cumplicidade.

Mas, quando ela desviou o olhar, sentiu uma presença opressora. Uma onda de frio percorreu sua espinha, e ela sabia exatamente quem estava encarando-a.

Florence evitou olhar diretamente para Lucian e fingiu que não o havia notado.

Quando o jantar terminou, ela se levantou rapidamente, usando como desculpa a necessidade de ajudar na cozinha a fazer o café. Era uma oportunidade perfeita para escapar daquele ambiente sufocante.

Ao chegar à sala de café, começou a procurar as cápsulas na prateleira. O silêncio do cômodo parecia reconfortante, mas foi interrompido pelo som da porta se fechando suavemente atrás dela.

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