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Renascida para a Vingança: O Preço do Amor e da Traição romance Capítulo 29

Florence despertou novamente em um quarto de hospital.

Seus olhos se moviam lentamente, mas a mente ainda estava enevoada. Apesar disso, conseguia ouvir vozes próximas à sua cama.

— E então? — Perguntou uma voz masculina, grave, familiar e tingida com um tom perigoso.

— Sr. Lucian, a paciente está fora de perigo. Eu coloco minha carreira em jogo: a recuperação da mão dela será completa. — Respondeu outro homem, em tom profissional.

Mão? A palavra ecoou na mente de Florence, despertando-a de vez. Seus olhos entreabertos focalizaram a plaquinha no jaleco branco do médico ao seu lado: [Dr. Gustavo Barros – Chefe de Neurologia.]

Aquele nome... Parecia tão familiar...

De repente, ela se lembrou. Na vida passada, Daphne havia se cortado levemente na mão enquanto cozinhava. Lucian, desesperado, mandou chamar o melhor neurologista da cidade — o mesmo Dr. Gustavo — para tratar o que era apenas um ferimento superficial.

Naquele mesmo dia, Florence teve a oportunidade da sua vida: apresentar um novo design de joias. Mas, ao sair do trabalho, foi atacada por ladrões que cortaram os nervos de sua mão. Desesperada, ela implorou ao hospital que chamasse o melhor especialista. A resposta foi cruel: o médico já estava ocupado com Daphne, cuidando do pequeno corte.

Florence, então, ligou para Lucian, suplicando por ajuda. Mas a resposta dele foi como um golpe ainda mais doloroso:

— Você pode parar de surtar toda vez que acontece alguma coisa com a Daphne? Florence, você não cansa de ser tão ridícula?

Com essas palavras, ele desligou. E com isso, Florence perdeu não só a esperança, mas também a chance de salvar a própria carreira.

Agora, o rosto do médico à sua frente se confundia com o da vida passada, e, ao lado dele, a figura de Lucian era o lembrete vivo de todas as suas tragédias.

Uma onda de emoções a atingiu como uma avalanche.

— Ah! — Ela gritou, rompendo o silêncio do quarto. — Não! Não se aproxime! Saiam! Saiam daqui!

O pânico tomou conta.

— Minha mão! Minha mão está destruída! — Ela chorava e gritava, incapaz de diferenciar o presente do passado.

A dor era avassaladora, mais emocional do que física. Cada célula de seu corpo parecia mergulhada em tristeza e desespero. Ela puxou o cobertor até o peito, tremendo violentamente, como se quisesse se esconder do mundo.

Lucian ordenou que chamassem o médico responsável. Enfermarias vieram correndo para tentar contê-la, mas Florence, em um estado descontrolado, lutava para afastar qualquer um que se aproximasse. Seu corpo parecia agir por conta própria, rejeitando qualquer toque.

— Segurem-na! — Instruiu o médico.

Após uma breve consulta, com a permissão de Lucian, aplicaram um sedativo para evitar que Florence se machucasse ainda mais.

Pouco a pouco, ela foi se acalmando. Seus olhos se fecharam, e sua respiração ficou mais lenta. Finalmente, ela adormeceu.

Lucian observava tudo, impassível, mas seus olhos eram frios como o aço.

— O que aconteceu com ela? — Perguntou ele, a voz baixa e afiada.

— Srta. Florence sofreu um choque emocional intenso. — Explicou o médico. — Provavelmente, foi algo que ela não conseguiu processar de imediato.

As palavras pairaram no ar, e o clima no quarto tornou-se ainda mais pesado. O olhar de Lucian era como uma tempestade prestes a desabar. Médicos e enfermeiros mal ousavam respirar, até que o som de um celular quebrou o silêncio sufocante.

Lucian deu uma breve olhada no número que aparecia na tela e fez um sinal para que todos saíssem do quarto. Os profissionais obedeceram imediatamente, aliviados por escapar daquela tensão.

No silêncio que se seguiu, Lucian atendeu ao telefone.

— Sr. Lucian. — Começou Cláudio, do outro lado da linha, com a voz séria. — A família Barbosa pagou uma fiança altíssima para liberar Gabriel. Eles já contrataram um time de advogados renomados. É provável que ele consiga apenas uma pena suspensa.

Isso significava que Gabriel quase não enfrentaria nenhuma punição real.

Lucian caminhou lentamente até a janela do quarto. Abriu-a, deixando o vento frio entrar. Encostou-se no parapeito e acendeu um cigarro. O som do isqueiro foi seguido por uma longa tragada, e ele soltou a fumaça enquanto olhava para Florence, deitada na cama.

— Deixe que ele saia. — Disse Lucian, finalmente, com uma calma que era mais assustadora do que a raiva explícita.

Cláudio entendeu imediatamente o significado por trás daquelas palavras.

— Sim, senhor.

— Descanse bem. — A policial disse, resignada, antes de sair do quarto.

Florence permaneceu sentada, imóvel. Parecia que a qualquer momento seria engolida pela escuridão que tomava conta de sua mente.

Depois de um longo tempo, lembrou-se de avisar Lyra que estava bem.

Florence: [Mãe, estou bem agora.]

Lyra: [Que bom. Seu avô pediu para você vir almoçar em casa no fim de semana. Não recuse, Florence. Ele está tentando nos dar uma chance de reconciliação.]

Florence: [Entendi.]

Após a breve conversa, Florence largou o celular ao lado e deitou-se novamente. Por impulso, começou a rolar o feed de notícias em seu celular.

Foi então que uma imagem publicada por Daphne apareceu na tela.

Na foto, Daphne estava deitada em uma cama de hospital. Lucian estava sentado ao lado dela, com uma expressão atenciosa, enquanto o Dr. Gustavo também aparecia no quadro.

A legenda era ainda mais irritante:

[Eu disse que minha mão estava doendo, e ele chamou o melhor especialista da cidade para me atender no meio da noite.]

Florence fechou o aplicativo com um movimento brusco. Olhou para suas próprias mãos, analisando os dedos e as cicatrizes recentes. Um sorriso amargo escapou de seus lábios. Era tudo tão irônico, tão cruel, que ela nem conseguia expressar sua frustração.

Momentos depois, o médico entrou no quarto para realizar uma última avaliação.

— Srta. Florence, seria melhor se você ficasse internada mais alguns dias. Sua mão ainda é muito delicada. Se algo acontecer agora, pode ser que você não consiga nem segurar uma caneta no futuro.

— Eu vou tomar cuidado. — Florence respondeu, com firmeza.

Ela insistiu em receber alta. Permanecer naquele hospital era insuportável. Além disso, havia coisas mais importantes que ela precisava resolver.

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