Florence ainda tentou se debater, mas Lucian a puxou com força. Seu braço firme envolveu suas costas, prendendo-a em um abraço que não dava espaço para fuga.
— Não se mexa. Quer perder a mão? — A voz rouca dele, carregada de um tom contido, sussurrou em seu ouvido, acompanhada de uma respiração quente que a deixou sem reação.
Ao ouvir a menção à própria mão, Florence parou de resistir.
Desde que saíra de Águas Serenas, o ferimento em sua mão latejava de dor, a ponto de ela nem conseguir prestar atenção no que Lyra dizia.
Lucian pegou uma garrafa de solução salina do kit de primeiros socorros e murmurou:
— Aguenta firme.
Antes que Florence pudesse reagir, ele começou a lavar o ferimento dela. A dor era tão intensa que fez sua cabeça formigar e seus dedos tremerem, como se algo estivesse escavando sua carne.
Ela não conseguiu suportar e tentou puxar a mão, mas Lucian a segurou com ainda mais firmeza. No instante seguinte, Florence sentiu uma sensação estranha ao redor do machucado.
Ela baixou os olhos, surpresa, e viu que Lucian, enquanto limpava o ferimento, passava os dedos suavemente ao redor da pele para aliviar sua dor.
Pouco tempo depois, o sangue e os pequenos fragmentos de vidro foram removidos da superfície da ferida. No entanto, um pedaço minúsculo ainda estava cravado mais fundo.
Quando Florence ia sugerir que ela mesma cuidaria disso, Lucian pegou outra garrafa de solução salina e lavou sua própria mão, incluindo o ferimento que ele mesmo tinha.
O sangue continuava a escorrer pela gaze improvisada na palma dele, mas ele apenas limpou de forma casual e rasgou a embalagem de uma pinça esterilizada.
Florence ficou atônita. Como ele conseguia agir como se não sentisse dor alguma?
— Feche os olhos. — Lucian ordenou, sem expressar qualquer emoção.
— Por quê? — Florence perguntou, voltando a si.

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