Assim que Florence entrou no salão, Marcos parecia já estar preparado. Ele ergueu a joia que segurava em mãos, exibindo para todos.
— Eu mandei verificar essa peça. A safira dessa presilha não é a mesma que entreguei à Florence. Aqui está o certificado da pedra original e o recibo de entrega assinado por ela. Isso prova que Florence já havia planejado tudo. Hoje não passa de uma armadilha para me incriminar.
Com as acusações de Marcos, Daphne, que estava entre os convidados, lançou um olhar ameaçador para Rosana.
Pouco antes, quando Rosana quase mencionou o nome de Daphne durante a transmissão ao vivo, Daphne fez questão de dar um “recado” claro enquanto desciam as escadas.
Agora, Rosana, enrolada em um roupão e com o rosto marcado por uma expressão sombria, olhava para Florence com um ódio quase palpável.
De repente, ela começou a chorar alto, como se sua dor fosse insuportável.
— Não fui eu! Eu também fui vítima das armações da Florence! Eu nem sabia que ela tinha roubado a joia do Sr. Marcos! Flor, como você pôde fazer isso comigo e com o Sr. Marcos? Eu não quero mais viver!
Antes que alguém pudesse reagir, Rosana correu em direção a uma coluna e bateu a cabeça com força.
O choque foi tão inesperado que ninguém conseguiu reagir a tempo. Quando algumas pessoas finalmente correram para segurá-la, era tarde demais. O sangue escorria de sua testa.
Rosana, apesar de sempre parecer submissa e medrosa, era ainda mais desequilibrada do que Daphne. Ela estava disposta a fazer o que fosse necessário: se humilhar, implorar, se machucar. Não havia limite para o que poderia fazer para alcançar seus objetivos.
E agora, diante de uma mulher disposta a se machucar para provar sua inocência, era natural que os presentes começassem a acreditar nela.
Com as evidências apresentadas por Marcos e a performance dramática de Rosana, os olhares de reprovação e desprezo voltaram-se novamente para Florence.
Mas, à medida que Florence se aproximava, algo chamou a atenção de todos: o cachecol que ela usava no pescoço. O acessório, aparentemente simples, fez com que muitos mudassem suas expressões. O desprezo deu lugar ao espanto, e as pessoas abriram caminho para que ela passasse.
Sem desconfiar de nada, Florence continuou caminhando lentamente até a beira do palco. Ela parou ali, observando Marcos e Rosana com um leve sorriso no rosto.
— Vocês dizem que eu armei contra vocês? Não posso aceitar uma acusação dessas. Eu, por acaso, apontei uma faca para obrigar vocês dois a dormirem juntos? Além disso, a transmissão ao vivo mostrou tudo. Em nenhum momento Rosana gritou por socorro, e o Sr. Marcos... Bem, ele ainda estava bem à vontade quando Neusa bateu na porta. Me expliquem, como eu poderia ter armado isso? Tenho outra dúvida. Já que eu nem estava presente, como vocês entraram no quarto?
O salão ficou em silêncio. O rosto de Rosana, coberto de sangue, ficou ainda mais pálido. Até Marcos, que parecia ter tudo sob controle, teve o semblante endurecido.

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