Ela olhou surpresa para Lucian. Como ele sabia que ela estava querendo sopa de tomate?
Lucian virou o rosto para ela e disse, sem alterar o tom:
— Pode tomar.
— Tá bom. — Florence assentiu e começou a tomar a sopa, sentindo o calor aliviar um pouco o desconforto.
Ronaldo observou a cena com um olhar indecifrável, apertando com força o garfo entre os dedos.
Melissa passou o guardanapo nos lábios, deu um sorriso enviesado e comentou:
— Flor, por que você saiu para jantar com o Lucian? Falo por bem, mas fica o aviso: certas coisas não podem se repetir. Para mulher, o mais importante é a reputação.
O rosto de Florence ficou pálido. Ela sabia muito bem que Melissa estava falando do caso entre ela e Lucian. Já fazia tempo, e ninguém da família Avery ousava tocar no assunto, mas Melissa fazia questão de constrangê-la diante de todos.
Nesse instante, o som do café sendo servido ecoou pela mesa.
Lucian largou a cafeteira com calma, pegou a xícara e lançou um olhar gelado para Melissa:
— Não sabia que precisava prestar contas da minha vida para quem não é da casa. Não é mesmo?
As palavras “não é da casa” atingiram Melissa como uma faca. Ela largou o garfo com força:
— Lucian, o que você quer dizer com isso?
Lucian pousou a xícara, sem alterar a expressão:
— Exatamente o que você entendeu. Quem quiser pode vir ou ir, mas a casa Avery não é parque de diversões. Se está difícil decidir, posso pedir ao Theo para liberar vocês de vez.
O rosto de Melissa e de Ronaldo empalideceu por um instante. Se fossem expulsos da família Avery, mesmo voltando para os Nunes, não seria nada honroso.
Ronaldo, percebendo o clima, levantou a xícara para Lucian:
— Tio, minha mãe só estava brincando com a Flor, não teve maldade.
— Ah, é? Só é brincadeira quando a pessoa ri, preciso te ensinar isso também?
Lucian tamborilava os dedos com o anel no aro da xícara. Sob a luz, a pedra rubi brilhava como sangue, cada batida soando como ameaça.
Ronaldo lançou um olhar para Melissa.
Melissa, contrariada, enfim olhou para Florence:
— Flor, foi força de hábito, não queria te magoar... Tô te pedindo desculpa, com café mesmo.

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