Ele se inclinou e sussurrou no ouvido de João Alves:
— Diretor Alves, a situação é muito desfavorável para nós. A melhor opção agora é confessar e tentar um acordo de leniência.
— Especialmente se entregar os outros participantes e as provas relacionadas, talvez consiga uma redução de pena.
João Alves permaneceu em silêncio, o olhar vazio fixo na mesa.
Sua mente foi invadida por imagens de vinte anos atrás.
Naquela época, ele havia acabado de assumir a família Alves e precisava desesperadamente de uma grande quantia de dinheiro para se reerguer.
Quando estava sem saída, Marcos Pacheco o procurou com uma proposta.
— João Alves, eu sei que você precisa de dinheiro. Conheço um esquema, o lucro é enorme. Se você topar, em menos de meio ano, você se firma na Cidade R.
Ele hesitou na época, sabendo que o "esquema" de Marcos Pacheco provavelmente não era limpo.
Mas, diante da fortuna que Marcos Pacheco descreveu e pensando em sua própria situação humilhante, ele não resistiu à tentação e concordou.
A primeira transação ilegal de órgãos lhe rendeu uma fortuna e abriu as portas para ele. A partir daí, não conseguiu mais parar.
No entanto, durante as transações, ele via o desespero nos olhos das pessoas tratadas como mercadoria. Sua consciência pesou várias vezes, especialmente depois de conhecer Maia Domingos. Ele até pensou em parar.
Mas Marcos Pacheco não concordou. Ameaçou expor tudo o que fizeram, forçando-o a continuar afundando, sempre sob o controle de Marcos Pacheco.
Ele se lembrou do sorriso gentil de Maia Domingos; lembrou-se de como ela abriu mão de seu próprio trabalho para apoiar sua carreira, cuidando da casa com esmero; lembrou-se de sua delicadeza durante a gravidez; lembrou-se da ternura em seus olhos ao segurar Serena Alves.
Mas uma mulher tão boa teve um fim tão trágico por causa de sua ganância e covardia.
Uma onda avassaladora de culpa e remorso o engoliu. Lágrimas rolaram incontrolavelmente por seu rosto, caindo sobre a mesa com um som suave.
— Ela deu tudo por você. Apoiou sua carreira, cuidou da sua vida. Mas você a traiu e, por causa da sua ganância, a matou!
João Alves olhou para o rosto de Serena Alves, que tinha alguns traços de Maia Domingos, e a culpa em seu coração se aprofundou.
Ele abriu a boca para se desculpar, mas sentiu a garganta travada, incapaz de dizer uma única palavra.
— Você se acha uma vítima, ameaçado por Marcos Pacheco, sem escolha.
Serena Alves continuou, o olhar cheio de escárnio.
— Mas você já pensou naquelas pessoas que vocês trataram como mercadoria? Elas também tinham família, também tinham laços. Suas famílias foram despedaçadas pela ganância de vocês, algumas até destruídas.
— Por sua própria riqueza e status, você ignorou a vida dos outros. O destino que você enfrenta agora é apenas o que você merece.
— Eu não vim aqui hoje para ver seu arrependimento, nem para ouvir suas desculpas.

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