João Alves desabou na cadeira de interrogatório, com as costas curvadas como um velho.
As palavras no papel eram como agulhas em brasa, perfurando seus olhos.
Ele repetia mecanicamente "impossível", a voz tão rouca que mal se ouvia.
Endrick Castro permaneceu de pé diante da mesa, observando-o em silêncio, sem pressa.
Ele apenas fez um sinal para o policial ao seu lado.
O policial entendeu, pegou um copo de água morna e o colocou suavemente na beirada da mesa, em frente a João Alves.
— Sr. Alves, beba um pouco de água.
João Alves não pareceu ouvir, seu olhar ainda fixo no chão.
— Já temos provas suficientes.
A voz de Endrick Castro quebrou o silêncio mortal da sala.
— Márcia agiu contra Maia Domingos para encobrir o seu tráfico ilegal de órgãos com Marcos Pacheco, vinte anos atrás.
— Eu nunca trafiquei órgãos.
João Alves ergueu a cabeça e se debateu, as algemas arranhando a superfície de metal da mesa com um som estridente.
— Márcia Nunes está mentindo! Ela está me incriminando! Maia Domingos era a mulher que eu mais amava, como eu poderia fazer mal a ela?
Diante da cena, Endrick Castro, com o rosto sério, colocou outro conjunto de documentos diante de João Alves.
Ao ver o conteúdo da caixa de ferro, os olhos de João Alves se arregalaram em descrença.
Henrique Serena não havia levado a caixa de ferro daquela vez?
Como essas coisas estavam nas mãos da polícia?
Seu rosto passou de pálido para um cinza-azulado. Ele não conseguia mais dizer uma palavra de negação.
Ele se aproximou rapidamente da mesa, primeiro mostrando sua identificação a Endrick Castro, e depois contestando imediatamente.
— Oficial, suspeito que o procedimento de interrogatório de vocês tem falhas. E essas supostas provas não são suficientes para culpar meu cliente diretamente.
João Alves agarrou-se a ele como a uma tábua de salvação. Um brilho de esperança surgiu em seus olhos turvos, e ele se calou, seguindo a deixa do advogado.
Endrick Castro estava preparado. Com calma, ele tirou mais uma pilha grossa de documentos da pasta e os espalhou sobre a mesa.
— Aqui estão os detalhes das transações financeiras entre João Alves e Marcos Pacheco, desde vinte anos atrás até hoje. Cada transferência corresponde a uma parte dos lucros daquela época.
— E aqui estão os depoimentos de testemunhas terceirizadas que participaram das transações. Elas concordaram em testemunhar no tribunal.
— A cadeia de evidências está completa. A cooperação do seu cliente só afetará a sentença final, não mudará a natureza do crime.
O advogado folheou os documentos rapidamente, seu rosto ficando cada vez mais sério, gotas de suor brotando em sua testa.
Com anos de experiência, ele podia ver que as provas estavam interligadas. Seria quase impossível refutá-las.

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