O olhar de Serena Alves percorreu as provas sobre a mesa, sua voz firme.
— O que minha mãe não pôde terminar, eu terminarei por ela. Farei com que todos os envolvidos naquela transação suja de anos atrás recebam a punição que merecem, para que a alma da minha mãe descanse em paz.
Após falar, Serena Alves não olhou mais para João Alves.
Ela se virou e saiu decididamente da sala de interrogatório. A porta se fechou atrás dela com um baque, separando dois mundos.
Enquanto João Alves, ferido pelas palavras de Serena Alves, lutava internamente para confessar tudo, o telefone da sala de interrogatório tocou de forma estridente.
Um policial atendeu imediatamente. Após ouvir por alguns instantes, sua expressão mudou drasticamente.
Ele se apressou em relatar a Endrick Castro.
— Capitão Endrick, recebemos notícias do capitão Dourado. Marcos Pacheco, ao ser cercado no terraço, resistiu à prisão e tentou pegar a arma de um policial. Ele foi baleado no local e agora está no hospital, em estado grave. Os médicos dizem que o prognóstico não é bom, mas, ao acordar, ele pediu especificamente para ver João Alves.
Ao ouvir o nome de Marcos Pacheco, João Alves estremeceu, como se atingido por uma corrente elétrica. Um turbilhão de emoções passou por seus olhos.
Havia ódio por Marcos Pacheco, por tê-lo arrastado para o crime, por anos de ameaças.
Havia medo de Marcos Pacheco, medo de que ele jogasse toda a culpa em cima dele.
E havia um alívio quase imperceptível. Talvez a aparição de Marcos Pacheco pudesse finalmente encerrar aquele pecado que o assombrava por vinte anos.
Ele sabia que Marcos Pacheco era a figura central daquela transação e o único que poderia revelar toda a verdade. O depoimento de Marcos Pacheco selaria seu destino final.
— Confesse. Tente um acordo de leniência. Entregue os outros participantes, os detalhes do processo, e qualquer outra atividade ilegal de Marcos Pacheco que você conheça. Talvez consiga uma redução de pena. É melhor do que uma sentença pesada.
João Alves permaneceu em silêncio, a cabeça levemente inclinada, o cabelo cobrindo sua expressão. Apenas seus ombros tremiam levemente.
Uma batalha interna o consumia.
Confessar significaria a ruína total de sua reputação. O Grupo Alves, que ele construiu por toda a vida, seria destruído. De um empresário poderoso, ele se tornaria um prisioneiro desprezado.
Não confessar... com provas tão contundentes, ele também não escaparia da justiça. Apenas uma pena mais severa o esperava, e ele passaria o resto de seus dias com a culpa e o remorso intermináveis pela morte de Maia Domingos.
Ele se lembrou do medo e do desespero que Maia Domingos deve ter sentido antes de morrer; lembrou-se do amor materno que Serena Alves nunca teve; lembrou-se das vítimas inocentes que ele prejudicou; lembrou-se das ameaças e da pressão de Marcos Pacheco ao longo dos anos.

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