No escritório do presidente, no último andar do Grupo Serra, a vista era espetacular.
Pelas janelas panorâmicas, o horizonte da Cidade S se estendia, com seus arranha-céus imponentes.
As fachadas de vidro refletiam a luz do sol do meio-dia, projetando sombras dançantes no piso de mármore polido.
Depois de dispensar os diretores do conselho, Murilo Vieira sentou-se na cadeira de couro atrás da grande mesa, girou uma vez e, observando a decoração do escritório, ergueu as sobrancelhas com bom humor.
— Digno do Grupo Serra. A decoração deste escritório é de primeira classe.
— Simon Silva, anote. Da próxima vez que reformarmos nossa sede, usaremos este padrão.
— Sim, chefe. — Simon Silva, de pé em frente à mesa, sorriu.
Ele sabia que Murilo Vieira estava brincando.
A sede deles na Europa havia sido reformada há apenas seis meses.
Mas agora, com apenas os dois no escritório, Simon Silva finalmente se sentiu mais à vontade.
Lembrando-se das palavras dos diretores na reunião, uma expressão de confusão tomou seu rosto.
— Chefe, as decisões propostas por aqueles diretores eram claramente uma tentativa de esvaziar seu poder.
— Eles querem que a aprovação dos negócios principais volte para o conselho e propuseram a criação de um chamado 'Comitê de Supervisão Estratégica', composto apenas por pessoas de confiança deles.
— Isso é claramente uma tentativa de transformá-lo em um fantoche. Por que você concordou?
As propostas pareciam nobres, com pretextos de "gestão padronizada" e "desenvolvimento estável", mas, na verdade, restringiam o poder de decisão do presidente a cada passo.
O controle dos setores-chave de imóveis e tecnologia foi dividido, e os processos de aprovação financeira foram sobrecarregados com burocracia.
Se implementadas, em pouco tempo, o Grupo Serra estaria firmemente nas mãos daqueles veteranos.
Naquele ponto, Murilo Vieira, o recém-empossado presidente, seria apenas uma figura decorativa!
Murilo Vieira ergueu o olhar, seus olhos escuros sem qualquer emoção, seu tom tão indiferente como se estivesse falando de algo trivial.
— Não importa. Eu nunca quis ser este presidente.
— Além disso, aos olhos deles, eu ainda estou doente e preciso de repouso.
Simon Silva ficou perplexo, sem entender.
Ele seguia Murilo Vieira há tantos anos e sempre pensou que seu plano era tomar o controle do Grupo Serra para se vingar do que a família Serra lhe havia feito no passado.
— Disputar este cargo com Roberto Serra foi apenas porque ele foi ganancioso demais. Ele ousou manipular o Grupo Alves e tocar em quem não devia. — O olhar de Murilo Vieira suavizou por um instante.
Em sua mente, surgiu o perfil sereno de Serena Alves, as olheiras de noites em claro atualizando o sistema, a postura ereta mesmo diante do desprezo de Roberto Serra.
— Agora que Roberto Serra caiu e o conselho prometeu anular o acordo injusto que ele assinou com o Grupo Alves, minha missão está cumprida.
Ele nunca teve interesse nas lutas de poder e intrigas internas do Grupo Serra.
Ele queria ver como seu "bom irmão", que sempre viveu na ilusão de uma família perfeita e idolatrava aquele estuprador, reagiria ao descobrir a verdade do passado, ao descobrir a verdadeira face de seu "pai amado" e como Giselle Castro, passo a passo, encurralou sua mãe.
— Deixe-o descobrir tudo. Será melhor assim. — A voz de Murilo Vieira tinha um toque de sarcasmo quase imperceptível, e seus dedos pararam de tamborilar.
— Quando ele souber de tudo, entenderá o que eu realmente quero.
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Na sala de desenvolvimento da InovaBr Tech, as luzes estavam acesas e o cheiro de café pairava no ar.
O relógio na parede já marcava dez horas da noite, mas a equipe de desenvolvimento ainda trabalhava com afinco, o som dos teclados ecoando sem parar.
Henrique Serena, parado na porta, observava a cena movimentada com uma alegria que não conseguia esconder.
Ele segurava firmemente um acordo de transferência de ações, seus dedos tremendo levemente de emoção.
Após uma série de procedimentos complexos, as ações do Grupo Alves foram oficialmente transferidas para Serena Alves.
Agora, ela era a maior acionista do Grupo Alves, com uma participação de cinquenta e um por cento.
No passado, ele talvez se sentisse ressentido com Serena Alves recebendo tantas ações.
Mas agora, ele sentia que era tudo o que Serena Alves merecia.
Seja como uma compensação de um irmão mais velho para sua irmã, ou pela própria capacidade de Serena Alves, ela tinha todo o direito a essas ações.

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