— Mas...
Ele acariciou o queixo e se virou para o homem moribundo atrás dele.
— Ainda bem que eu estava preparado.
Ele chutou o peito do homem.
O som surdo foi acompanhado pela tosse do homem, e sangue escorreu do canto de sua boca.
— Só não sei qual será a escolha de Murilo Vieira entre a própria vida e a de sua mulher.
Dizendo isso, ele pegou o celular e tirou uma foto do homem.
"Murilo Vieira, este é o doador que pode salvar sua vida. Às oito da noite, na fábrica abandonada da zona oeste. Venha sozinho e traga a caixa de metal que pegou da antiga casa da família Alves em troca dele. Se faltar uma única condição, pode esperar pelo corpo."
Vendo a notificação de que a mensagem foi enviada, Marcos Pacheco sorriu satisfeito.
— Os sábios se adaptam às circunstâncias. Espero que Murilo Vieira não me decepcione.
-
Hospital.
Murilo Vieira olhou para a foto em seu celular, seus olhos escurecendo.
André Cruz estava mesmo nas mãos de Marcos Pacheco!
Parece que, enquanto ainda estava no exterior, ele investigou a fundo todas as pessoas ao redor da família Alves.
Ele até se precaveu contra mim.
No entanto, pelo que ele sabia, Henrique Serena havia devolvido o objeto ao seu lugar original.
Por que Marcos Pacheco acreditaria que eles o levaram?
— Chefe, deixe-me ir...
Sebastião Rocha estava deitado na cama ao lado, com a cintura enfaixada.
Na noite anterior, embora ele tenha detido Tiago Dourado e seus homens, ele mesmo ficou gravemente ferido.
Os homens de Murilo Vieira reviraram a Cidade R inteira antes de encontrá-lo sob a margem de um rio.
— Não.
Murilo Vieira balançou a cabeça.
— Fique no hospital e descanse. Assim que se recuperar, volte para o Grupo Domingos e não deixe que Serena descubra nada.
— Esse homem foi capturado e torturado por Marcos Pacheco por minha causa. Se eu não for, quem sabe o que mais ele terá que suportar.
— Mas, chefe, sua saúde...
— Não se preocupe, não vou me arriscar.
Murilo Vieira estreitou os olhos.
Serena Alves abriu uma gaveta e entregou-lhe um cartão.
— Tire umas longas férias, vá ver seus pais e seu irmão. Este cartão, use como quiser.
— Obrigada, Serena.
Viviane Lacerda não fez cerimônia, guardou o cartão e saiu do escritório.
O silêncio voltou a reinar no escritório.
Um brilho frio passou pelos olhos de Serena Alves.
Ela então pegou o celular e ligou para o Dr. Cruz.
— Dr. Cruz, a gravação que lhe enviei antes pode provar que Gabriel Serra e Vera Barbosa conspiraram para me enganar e me fazer ser uma barriga de aluguel?
Antes, por falta de provas suficientes sobre a barriga de aluguel, o processo de divórcio dela e de Gabriel Serra foi suspenso.
— Srta. Alves. — disse o Dr. Cruz. — Embora gravações secretas não possam ser usadas como prova principal, com esta gravação, a credibilidade das provas que apresentamos anteriormente ao tribunal aumentará.
— Além disso, a polícia entrou em contato comigo. Eles encontraram novas evidências sobre o fato de o diretor Serra tê-la usado como barriga de aluguel.
— Que bom.
Ao ouvir isso, um brilho feroz passou pelos olhos de Serena Alves.
Parecia que, desta vez, ela não só conseguiria se divorciar de Gabriel Serra, mas também o levaria à ruína.

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