Talita Alves percebeu sua hesitação.
Ela baixou os olhos, seus dedos apertando firmemente a barra de seu vestido.
— Voltei ontem... Pai, é verdade que a mamãe matou a tia Maia?
Não ouvindo a resposta de João Alves, ela ergueu a cabeça.
Seus olhos estavam vermelhos e marejados, cheios de culpa.
— Pai, me desculpe. Eu não sabia que a mamãe tinha feito isso. Ela prejudicou a tia Maia Domingos. Eu... eu peço desculpas a você em nome dela.
— Não tem nada a ver com você.
Afinal, era a filha que ele amava há mais de vinte anos.
Vendo o rosto pálido de Talita Alves, sua compaixão por ela superou o ódio por Márcia Nunes.
— O importante é que você voltou.
— Sua mãe disse que você foi para o exterior para trabalhar em pesquisa e desenvolvimento. Como estão as coisas?
— Já terminei.
Os olhos de Talita Alves brilharam.
— Pai, eu quero voltar para te ajudar.
— Eu sei que o que a mamãe fez é imperdoável. Não peço que a perdoe, apenas que me deixe ficar na InovaBr Tech. Quero usar minha tecnologia para ajudar a empresa.
O coração de João Alves se moveu.
A construção da plataforma para a SelvaTech exigia precisamente um especialista em inteligência artificial, e Talita Alves se encaixava perfeitamente.
Além disso, ela era a filha que ele mimara desde pequena.
O sangue falava mais alto; como ele poderia realmente expulsá-la?
— Certo. De agora em diante, o departamento de P&D continuará sob sua responsabilidade.
João Alves assentiu e instruiu Sandro Souza, que estava ao lado:
— Sandro Souza, explique em detalhes a situação atual da empresa para a Talita, especialmente o progresso do projeto SelvaTech.
— Sim, diretor Alves. — respondeu Sandro Souza.
Um brilho quase imperceptível passou pelos olhos de Talita Alves.
Ela disse apressadamente:
— Obrigada, pai.
— Senhorita, por aqui, por favor.
Sandro Souza levou Talita Alves para fora do escritório, até a área da secretaria, e entregou-lhe todos os materiais que eles tinham sobre a SelvaTech.
No entanto, Talita Alves não pegou os documentos.
Em vez disso, ela tirou do pescoço um pequeno medalhão e o estendeu para Sandro Souza.
No medalhão, estava gravada uma discreta letra "P".
Sandro Souza balançou a cabeça.
— O jovem mestre desapareceu depois de fugir da antiga casa e não tivemos mais notícias.
— Eu imagino que ele tenha feito isso para descobrir a verdade sobre a morte de sua mãe.
Ao ouvir isso, os dedos de Talita Alves se apertaram com força, as unhas cravando-se profundamente na palma da mão.
Parece que Henrique Serena acreditou nas palavras de Serena Alves e estava convencido de que foi Márcia Nunes quem matou sua mãe, e por isso foi investigar.
Não admira que, quando Márcia Nunes se meteu em problemas, Henrique Serena não lhe tenha feito uma única ligação!
A culpa era toda de Serena Alves!
Ela fez com que Henrique Serena se afastasse dela!
O ódio, como uma hera venenosa, envolveu seu coração.
Talita Alves respirou fundo, pegou o celular e rapidamente enviou uma mensagem para Marcos Pacheco, contando-lhe a situação da família Alves.
No entanto, ela não ousou dizer a Marcos Pacheco que a caixa de metal havia sido transferida.
Ela apenas disse que Henrique Serena havia pegado o objeto e que provavelmente o entregara a Serena Alves.
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Marcos Pacheco olhou para a mensagem na tela do celular, um brilho feroz em seus olhos.
— João Alves continua o mesmo inútil de sempre. Como pôde deixar algo tão importante ser levado?

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