Cap.80
Adon a abraçou, a testa dela descansando em seu ombro, os lábios dele perto de seu ouvido. A resposta dele foi a verdade crua que o dinheiro podia comprar.
— Apenas aproveite o momento, freirinha. Não há nada de errado em brincar um pouco, certo?
O abraço dele era quente e reconfortante, mas as palavras frias e distantes eram um banho de realidade. Os olhos de Selene marejaram novamente.
“Brincar? Isso tudo, para ele, era só um tipo de diversão? Ela não estava surpresa, já que ele sempre fora claro com seus sentimentos. Menos ela, que estava apaixonada e negando para ele o que era óbvio.”
Era claro que eles não tinham nada além de uma dívida a ser paga e desejo. O contrato estava selado. E, depois que a dívida fosse zerada, tudo acabaria e ela poderia se afastar. Seus pensamentos gravavam aquele momento como uma contagem regressiva para o fim. Era hora de se preparar para se afastar dele.
— Adon! O que está fazendo? — ela perguntou, quando ele a levantou, levando-a até o quarto.
— Preciso de você aqui. Não vou te tocar nem usar segundas intenções, prometo, mesmo que seja o que você queira.
— Hoje não, Adon. — ela confessou, desanimada.
Então ele se deitou ao lado dela, abraçando-a, os pensamentos distantes.
— O que você acha? Você está me devendo um jantar, certo?
— Sim. — ela confirmou sem hesitar.
— Já pensei onde eu quero ir com você. Podemos ir ao Le Freur, na cobertura? Parece que aquele lugar tem sua cara.
Ele comentou, e, de repente, ela se lembrou do convite de Mima para aquele lugar. Selene se perguntou se Mima a convidou de propósito, mas não queria acreditar.
— Se você quiser ir lá, tudo bem…
— Ok, vamos marcar um dia.
Selene acordou no apartamento de Adon, confusa sobre a hora e o lugar. Seus olhos se arregalaram sem nem se lembrar de quando adormeceu. A cama estava cheia de roupas novas e elegantes, dispostas como para uma sessão de fotos.
Adon estava em pé, em frente ao espelho, impecável em seu terno, ajeitando a gravata com a precisão de um CEO.
— O que é tudo isso? — Selene perguntou.
Adon se virou, com o sorriso de quem estava no controle.
— Escolha algo. Daqui a pouco vamos sair. É dia de trabalho, e a princesa tem que começar a acordar mais cedo.
— Mas de quem são essas roupas?
— Suas. Você faz o que quiser com elas. Eu vou te levar para o trabalho todas as vezes que você dormir aqui. Você precisa de roupas, e eu cobrei alguns favores e consegui algumas para você.
Selene o analisou enquanto olhava as peças, perdida em seus pensamentos. Como ele podia se importar tanto, se para ele tudo não passava de um brinquedo? Além do fato de as roupas serem do tamanho perfeito, como se ele soubesse cada uma de suas medidas de cor.
— Até que, para alguém que não gosta de trabalhar, você anda bastante empenhado agora que está na empresa.
Adon apenas sorriu, o brilho nos olhos dizendo que ele estava empenhado em algo bem mais complexo do que apenas trabalho.
Eles seguiram juntos para o Grupo Felix. Ao chegarem, Selene percebeu os olhares. Ela estava radiante, com as roupas novas e a confusão leve da noite passada, mas não tinha ideia de que todos estavam olhando para o Presidente acompanhado de uma estagiária.
Axel e Átila se aproximaram de Adon na discrição do corredor executivo.
— Ela já sabe quem você é? — perguntou Axel, com uma sobrancelha levantada.
— Ainda não. Quero ver se ela percebe com quem está andando — respondeu Adon, observando Selene a alguns metros de distância.
Átila suspirou.
— Ela é muito distraída, Adon. E acredita com facilidade nas pessoas. Se você inventar qualquer coisa, o que as pessoas dizem não import—
— Eu sei. Mas a distração dela é justamente a única coisa que me acalma.
— Pode até ser, mas não tenho boas notícias. Rose está na empresa hoje.
— Está tudo bem. Elas não têm chance de se encontrar com tanta facilidade assim. O meu problema é o Don já ter a encontrado.
O dia passou com a intensidade esperada. Selene se empenhava e, como combinado com Alex, Cíntia a mantinha em tarefas exaustivas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!