Cap.179
Axel esperou por alguns minutos, a impaciência crescendo nos dedos que tamborilavam contra a coxa. O tempo estava passando.
Ele deu dois passos em direção à casa. Assim que entrou, parecia não haver ninguém ali. Ele sabia onde ficavam os quartos, então seguiu até o quarto que vira algumas vezes Maju sair e parou, ouvindo o leve ruído de tecido e um suspiro frustrado. Sem cerimônia, bateu na porta.
— Vamos! O carro não vai esperar o dia inteiro! — sua voz soou áspera, mas contida.
— Eu… não estou conseguindo — a voz de Maju veio abafada, carregada de uma angústia que soava mais próxima das lágrimas do que da simples frustração.
Axel respirou fundo, a irritação dando lugar a um reconhecimento rápido do tom dela. Não era manha. Ele empurrou a porta e a abriu o suficiente para espiar.
Maju estava de costas para a porta, diante do espelho embaçado do quarto modesto. Suas mãos torciam e puxavam o zíper de um vestido preto que claramente não lhe servia.
O tecido estava esticado e deformado na região dos ombros e das costas, recusando-se a subir.
— O que você está fazendo? — perguntou, entrando e fechando a porta atrás de si.
Seus olhos analíticos percorreram a cena e, então, por um instante mais longo do que o necessário, pousaram nela.
Maju parou de tentar, vencida pelo cansaço, e se virou para ele, encarando-o com frustração. Seus olhos analisaram a feição dele, assim como seus traços.
Maju era diferente das mulheres que costumavam circular pelos círculos de Monselha — aquelas de beleza padronizada, pele clara e cuidados caros.
Sua pele tinha um tom mais escuro e rico, como ébano polido, contrastando com o tecido barato.
Seus cabelos, soltos, caíam sobre os ombros; eram ondulados e espessos, emoldurando um rosto de traços longos e suaves.
Lábios generosos, hoje apertados em frustração, e sobrancelhas um pouco mais grossas davam à sua expressão uma seriedade inocente.
Havia uma beleza ali — não esculpida em salões, mas natural e terrena — que fez Axel pausar por uma fração de segundo, analisando-a.
Ele se aproximou, dissipando o pensamento tão rápido quanto surgira. Aquilo não era importante.
— Esse vestido não cabe em você — declarou, a voz prática cortando o ar. — Por que as meninas te deram isso?
— Não é culpa delas — Maju disse rapidamente, ainda sem se virar, a vergonha evidente. O ombro agora estava à mostra enquanto ela tentava se cobrir, envolvendo-se com os braços para esconder o decote. — Eu disse que servia. Mas… eu não me lembrava direito. Acho que mudei, ou ele encolheu, ou…
— Tire esse vestido — a ordem de Axel foi direta, sem espaço para argumentos. — Você não vê que tem mais busto do que esse pano aguenta? Só vai rasgar ou ficar indecente.
Maju finalmente o encarou, os olhos arregalados por um misto de choque. Ela interpretou mal a intenção dele e recuou um passo.
Axel percebeu o erro e fez um gesto brusco de negação com a mão.
— Não, não é isso. Foi… uma distração minha. Esqueci que você saiu daquele orfanato sem nada. — Ele passou a mão pelos cabelos, num gesto raro de exasperação. — Vou sair para comprar um. Já volto.
— Axel, você não tem obrigação — Maju protestou, baixinho. — Eu me viro. As meninas estão me ajudando a arrumar um trabalho. Todas aqui trabalham. Por que não eu?
Ele a encarou, e um quase sorriso — rápido e cansado — tocou seus lábios.
— Boa menina, mas… enquanto isso. — Ele já se virava. — Vi uma loja na esquina. Ainda temos tempo.
Ele saiu do quarto com a mesma energia abrupta com que entrou, deixando Maju parada no meio do cômodo, ainda envolta no vestido inadequado.
Do corredor, escondida na sombra da porta da sala, Mima observava. Seus olhos, ainda vermelhos, seguiram Axel até que ele sumisse pela porta da frente. Só então ela entrou no quarto de Maju.
— Por que você não disse que não servia? — perguntou Mima, a voz rouca, mas suave.
Maju abaixou a cabeça, brincando com o tecido preso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!