Cap.146
— Eu… sinceramente, quero te agradecer — Adon continuou, sua voz suave, mas carregada de uma emoção profunda. — Por ter me escolhido como filho. Naquele dia, quando eu tive que… entregar minha irmã no orfanato, você disse claramente que eu preencheria o lugar dela nesta família. Cuidou de mim como um igual, ao lado do Átila e do Axel. E, por isso, pai, eu jamais vou te trair. Mas… — Ele fez uma pausa, e quando falou novamente, sua voz tinha determinação. — Um homem também deve proteger sua esposa de qualquer pessoa. Mesmo que essa pessoa seja o seu próprio pai. Por isso, abro mão da presidência. E de qualquer centavo do Grupo Felix.
Alex Felix ficou paralisado, segurando o documento que provava o casamento legal entre Adon e Selene.
A arma que ele tentou usar para afastá-los havia sido desarmada de forma esmagadora. Ele não estava humilhando uma diversão passageira do filho.
Estava tentando destruir a esposa dele. E, ao fazer isso, perdeu o herdeiro. A sala presidencial, outrora o centro do poder de Alex, parecia, de repente, vazia e fria, ecoando apenas o silêncio estrondoso de sua derrota estratégica e familiar.
A noite havia engolido a cidade quando Adon entrou na boate “Vértice”. O som era uma entidade pulsante, luzes estroboscópicas cortavam a fumaça artificial, e corpos suados se moviam em uníssono com a batida eletrônica. Seu olhar, frio e analítico, varreu o ambiente. Não estava ali para se divertir.
Quase imediatamente, um homem de terno caro, mas com ar descolado, o cumprimentou com um aperto de mão exagerado. Era Carlo, o atual gerente e dono minoritário do lugar. Flanqueando-o, duas mulheres deslumbrantes, de vestidos minúsculos e sorrisos profissionais, colaram-se aos lados do anfitrião.
Uma delas, uma morena de olhos verdes, agarrou o braço de Adon com familiaridade calculada.
— Adon! Que honra! Vamos para a sala VIP, longe desse burburinho — gritou Carlo sobre a música, conduzindo-o.
Adon permitiu o contato, seu rosto uma máscara de cortesia glacial. Era parte do jogo, do teatro do poder nesses lugares. Seguiram pelo corredor lateral, afastando-se da pista.
Do outro lado do amplo bar central, Selene, com um colete preto apertado e as mãos ágeis misturando drinks, congelou.
A garrafa de vodka pendeu, esquecida, sobre o copo. Seus olhos prenderam-se na figura impecável de Adon, no sorriso falso da morena pendurada em seu braço, na facilidade com que ele desaparecia na ala privada.
Uma facada fria de descrença cravou-se sob suas costelas.
Então, um sorriso cético e amargo esticou seus lábios.
É isso?, pensou, o coração batendo forte contra o osso. Mal se recupera, some sem explicação, e volta ao seu mundo de bebidas caras e mulheres fáceis? Que conveniente.
O fogo da traição, mesclado com a ferida ainda aberta do abandono, acendeu-se dentro dela. Você vai se arrepender, Adon Felix, asseverou mentalmente, os dedos apertando a garrafa com força.
— Ei, lindona, o drink vai nascer ou vai ficar só no flerte? — a voz impaciente de um cliente a puxou de volta.
Selene respirou fundo, sacudindo a cabeça.
— Tudo bem. Desculpe — murmurou, forçando a atenção para a tarefa, enterrando o turbilhão de sentimentos no fundo do peito. Deixa para lá. Ele não vale mais isso.
Os minutos arrastaram-se. Ela servia drinks, forçava sorrisos, mas seus olhos voltavam insistentemente para o corredor fechado. Até que uma das garçonetes apareceu ofegante ao seu lado.
— Selene, preciso de ajuda! A Bianca tá no VIP 3 com aquele grupo do empresário… ela tá chorando, não consegue sair. Os seguranças não querem entrar, têm medo do cara.
A adrenalina substituiu a mágoa. Selene não pensou duas vezes.
— Vamos.
Chegando à porta do VIP 3, a atmosfera era pesada. Dois seguranças encorpados cruzavam os braços, olhando para o lado. Selene ouviu risadas grossas e um choro abafado do lado de dentro.
— Abram a porta. Tirem a Bianca de lá — ordenou ela, a voz mais firme do que se sentia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!