Cap.138
Alex Felix estava atrás da imensa mesa de Adon, lendo um relatório enquanto participava de uma videochamada. Ergueu os olhos e, por uma fração de segundo, uma surpresa genuína cruzou seu rosto granítico antes de ser substituída pelo habitual desdém glacial.
— Que invasão é essa? — sua voz foi um corte seco.
Selene atravessou o escritório até parar diante da mesa. A respiração vinha ofegante, os olhos lançando faíscas.
— Quando as coisas fogem do seu controle, é assim que você age? Agredindo pessoas? — disparou. — É para isso que você usa o seu poder? Para machucar, para torturar, para tirar a liberdade e a dignidade de quem ousa desafiar você? Foi só uma mentira boba! Qual é o seu problema? Tem mesmo que machucar as pessoas desse jeito?
Alex franziu a testa, genuinamente confuso.
— Do que você está falando, menina? Você não está falando coisa com coisa.
— DINHEIRO, CARREIRA, SONHOS! — Selene gritou, as palavras explodindo do peito. — As pessoas que eu amo! São direitos das pessoas! Você não tem o direito de tirá-los! Não tem o direito de machucar quem eu amo! Não tem o direito de machucar a Guilhermina!
A confusão no rosto de Alex se aprofundou.
— A Guilhermina? — ele repetiu. — O que aconteceu com ela?
— Não finja! — Selene cuspiu, avançando mais um passo. — Ela está no hospital, espancada, desidratada, quase morta! Mesmo que ela tenha mentido sobre o anel, mesmo que seja uma pessoa horrível, NINGUÉM merece o que você fez com ela!
Alex Felix levantou-se lentamente. Sua expressão não era de raiva, mas de uma avaliação intensa e perturbada.
— Espere um minuto — disse, a voz perigosamente baixa. — Você está me acusando de ter agredido a Guilhermina? Por quê? Por que eu faria isso?
— Porque ela mentiu! Porque ela não era a pessoa certa que você pensava! — Selene rebateu, as lágrimas de raiva voltando aos olhos. — Mas você deveria ter investigado! Não tem todo esse dinheiro?! Porque você é um monstro que só sabe controlar as pessoas pelo medo e pela dor!
— E saiba de uma coisa: eu salvei o Adon naquele beco. Fui eu. Mas mesmo assim, eu nunca aceitaria nada vindo de você. Porque você é o homem mais podre e vil que eu já conheci!
— Do que você está falando? — Alex perguntou, boquiaberto.
Foi nesse momento que a porta se abriu novamente. Átila e Axel entraram, tendo ouvido os gritos no corredor. Pararam à entrada, observando a cena: Selene, trêmula de fúria, confrontando Alex, que parecia genuinamente perplexo.
Esses dois se odeiam tanto… pensou Axel, trocando um olhar preocupado com Átila. Como vai ser quando descobrirmos a verdade? Como ele vai encarar a própria filha?
Átila leu o pensamento do irmão. Seu rosto permanecia sério.
Alex precisava abrir os olhos — ou perderia Simone para sempre. Mas, naquele momento, a prioridade era Selene.
Ao vê-los, Selene não se acalmou. Lançou um último olhar de ódio puro a Alex.
— Saia — ela ordenou, apontando para a porta, como se estivesse expulsando um lacaio. — Saia da minha vida e da vida de todo mundo que você contamina.
Virou-se e saiu do escritório com a mesma força com que entrara, ignorando todos, deixando para trás um silêncio pesado e carregado.
Alex, por fim, recuperou a fala. Olhou para os dois filhos, a expressão misturando irritação e uma incompreensão rara.
— O que vieram fazer aqui?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!