O silêncio se instalou entre os dois homens.
Não era um silêncio comum. Havia nele a tensão de um duelo, como se ambos estivessem diante de uma arena e nenhum estivesse disposto a ser o primeiro a recuar.
Bruno percorreu Eduardo com os olhos, ainda tentando conciliar aquela figura desleixada à sua frente com o homem que conhecia havia tantos anos.
— Nunca imaginei encontrar você em um lugar como este.
Eduardo esboçou um sorriso torto, desprovido de qualquer humor. Voltou a se sentar e apanhou o copo de uísque sobre a mesa de centro. Virou a bebida de uma vez e, em seguida, encarou Bruno com uma amargura que não fazia questão de esconder.
— Como me encontrou aqui?
Pegou um cigarro e o acendeu, como se a presença do amigo fosse apenas mais um incômodo naquela noite.
Bruno lançou um olhar à mesa. Havia diversas garrafas, mas o nível do uísque indicava que Eduardo não bebera tanto quanto ele imaginara. O que realmente lhe chamou a atenção foi o cinzeiro abarrotado de pontas de cigarro.
Raramente vira Eduardo fumar.
— Isso não importa.
Eduardo indicou o sofá à sua frente e, sem esperar uma resposta, serviu outra dose de uísque, estendendo o copo na direção dele.
Bruno se sentou, mas recusou a bebida com um gesto.
— O que aconteceu, Eduardo? O que fez você vir parar aqui?
Observou-o com atenção. O semblante sombrio, a barba por fazer, a camisa com os primeiros botões abertos e o cabelo desalinhado denunciavam noites maldormidas. Mas o que mais o incomodava eram os olhos de Eduardo. Antes tão frios e calculistas, agora pareciam vazios, como se ele tivesse perdido o interesse por tudo ao redor.
— Não é da sua conta — respondeu Eduardo, ríspido, levando o cigarro aos lábios.
Bruno não se deixou intimidar.
— É sobre Helena, não é?
A mão de Eduardo parou por uma fração de segundo antes de ele soltar a fumaça.
— Você não perde tempo.
— Não vim aqui para perder tempo.
Eduardo o encarou. Por alguns segundos, nenhum dos dois desviou o olhar. Então, um sorriso amargo surgiu nos lábios do presidente do Grupo Monteiro.
— Você gosta dela, não é?
Bruno permaneceu imóvel.
— Claro que gosta. Pensa que não percebo a maneira como olha para ela? — Eduardo recostou-se no sofá, girando o copo entre os dedos. — Sempre tão disposto a ajudá-la, tão interessado em saber como está... Deve ser difícil para você vê-la voltar para casa comigo todas as noites.
Bruno respirou fundo. Não permitiria que o ciúme de Eduardo transformasse aquela conversa em uma disputa infantil.
Inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e sustentou o olhar do amigo.
— Sim, eu gosto dela e a admiro. Helena é uma mulher extraordinária.
A expressão de Eduardo se fechou.
No instante seguinte, ele arremessou o copo contra a parede. O vidro se espatifou, espalhando fragmentos pelo chão.
— Então você admite!
Bruno sequer se moveu.
— Não tenho motivo para negar o que sinto.
Eduardo se levantou abruptamente, o cigarro preso entre os dedos.
— Você está interessado na minha esposa!
— Estou interessado em uma mulher que merece ser tratada com respeito. E, pelo que estou vendo, só posso concluir que não a vê apenas como uma esposa de contrato.
— Cuidado com o que diz, Bruno.

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