— Tudo bem. Agora me entregue o dinheiro.
Helena abriu a bolsa e retirou uma pasta, maior do que a que costumava levar para as reuniões de trabalho. O volume em seu interior tornava evidente a quantia que carregava.
Por um breve instante, Helena hesitou. Aquele dinheiro representava uma parte considerável das reservas da empresa e do caixa da residência, dinheiro de Eduardo, recursos que levaria tempo para recuperar.
Empurrou a pasta pela mesa.
Danilo a recolheu e conferiu rapidamente o conteúdo, sem abri-la por completo. Depois, levantou-se.
— Adeus, Helena. Espero que seja feliz.
Ela não respondeu.
Danilo colocou os óculos novamente e se afastou, deixando a cafeteria sem olhar para trás.
Helena permaneceu com o coração disparado e as mãos frias. Só quando ele desapareceu pela porta percebeu que estivera prendendo a respiração.
Olhou para a xícara diante de si. O café estava completamente frio.
Estava feito.
Uma parte dela queria acreditar que aquela seria a última vez que ouviria o nome de Danilo. Queria acreditar que, finalmente, poderia voltar a viver sem o peso das ameaças.
Mas a tranquilidade ainda parecia distante.
Levantou-se, pegou a bolsa e deixou a cafeteria, levando consigo a esperança frágil de que Danilo cumprisse a palavra.
*****
Do outro lado da cidade, no escritório da presidência do Grupo Monteiro, Eduardo acabara de receber uma notificação de um contato que vinha lhe fornecendo informações sobre Helena.
Pegou o celular e abriu a mensagem.
A fotografia ocupava quase toda a tela.
Helena estava sentada diante de Danilo em uma cafeteria. A imagem fora capturada no instante em que ela lhe entregava uma pasta volumosa, enquanto ele estendia a mão para recebê-la.
Eduardo permaneceu imóvel, com os olhos fixos na tela.
Era exatamente o que esperava encontrar e, ainda assim, ver aquilo provocou nele uma sensação amarga.
Seus dedos se fecharam em torno do celular. A imagem continuava diante de seus olhos, oferecendo-lhe uma confirmação que ele não queria acreditar.
Mas, naquele momento, já não procurava explicações, apenas enxergava a prova que julgava ter encontrado.
*****
Bianca acabara de estacionar o carro diante da mansão da família Lima.
Desceu e olhou ao redor. A imponência da residência ainda a impressionava, mesmo depois das outras visitas.
Pegou o material no banco de trás e, após um suspiro discreto, caminhou até a entrada. A enorme porta de madeira escura ocupava quase toda a altura do pé-direito duplo do térreo.
Quando se aproximou, a porta se abriu.
Bianca preparou um sorriso para o mordomo, mas, para sua surpresa, encontrou Bruno do outro lado.
Por um instante, esqueceu o que pretendia dizer.
— Boa tarde, Bianca.
Ela precisou de alguns segundos para recompor a expressão.
— Boa tarde, Bruno. Não esperava encontrá-lo.
Ele sorriu. Era aquele sorriso capaz de acelerar o coração dela sem aviso, mas havia algo diferente dessa vez. Mais aberto, espontâneo, como se estivesse realmente contente com sua chegada.
— Minha mãe me contou que você viria trazer o projeto final. Achei que deveria conferir pessoalmente como ficou.
— Entendi.
Bianca baixou os olhos, disfarçando a sombra que atravessou seu rosto para que ele não visse.
Na verdade, Bianca, entendeu que a reforma interessava a Bruno devido a próxima grande festa que aconteceria ali, provavelmente o casamento dele.
A simples lembrança foi suficiente para abafar a alegria inesperada que sentira ao encontrá-lo à porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido