Ao entrar no escritório de Helena, Bianca franziu a testa, preocupada.
A prima estava com o semblante abatido, e até mesmo sua aparência denunciava o desgaste dos últimos dias. Helena parecia ter perdido peso, e havia algo em seus olhos que Bianca não conseguia ignorar.
— Helena, o que está acontecendo? — perguntou sem rodeios. — Célia me contou que você fez uma retirada considerável do capital da empresa.
Helena desviou o olhar. Nunca escondera nada da prima, e justamente por isso aquela conversa lhe pesava tanto. Não conseguia mentir para Bianca, mas também não queria envolvê-la em um problema que precisava resolver sozinha.
— É uma retirada estratégica. Depois, vou repor o dinheiro — respondeu, repetindo a explicação que dera a Célia.
Bianca estreitou os olhos.
— Helena, eu te conheço desde que nasci. Sei que você não está bem e que alguma coisa está acontecendo.
— Agradeço sua preocupação, mas está tudo bem. — Helena forçou um sorriso e apontou para a pasta nas mãos da prima. — Então, como está o projeto do salão de festas da casa do Bruno?
Bianca percebeu a mudança de assunto, mas decidiu não insistir naquele momento.
— Já terminei os ajustes solicitados pela senhora Arlete. Gostaria que você revisasse o projeto antes da reunião desta tarde.
— Claro. Me dê aqui.
Helena recebeu a pasta. O projeto era importante para a empresa, tanto pelo prestígio do cliente quanto pelo retorno financeiro que poderia proporcionar. Naquela altura, cada novo contrato fazia diferença.
As duas se debruçaram sobre os desenhos, analisando os acabamentos, a disposição dos ambientes e a escolha dos materiais. Durante quase uma hora, concentraram-se no trabalho, até que Helena finalmente se recostou na cadeira, satisfeita.
— Bianca, ficou incrível! — elogiou, com sinceridade. — Consigo ver você em cada detalhe. Tenho certeza de que a senhora Arlete ficará muito satisfeita.
Bianca sorriu, mas havia uma sombra de tristeza em seu olhar.
Quando ela e Alice conceberam o projeto e escolheram os materiais, não conseguiu evitar de imaginar como seria uma festa de casamento naquele salão. A combinação de elementos simples e sofisticados criava uma elegância acolhedora, exatamente como ela sonhava que fosse um dia a celebração de seu próprio casamento.
Por um breve instante, permitiu-se sonhar. Depois, guardou aquele pensamento para si.
— Obrigada — respondeu baixinho.
— Tenho certeza de que ela vai aprovar.
— Também acho. Bem, preciso ir. Tenho algumas coisas para resolver antes da reunião.
Bianca se levantou, levando a pasta consigo. Antes de sair, lançou mais um olhar à prima, como se ainda esperasse que ela mudasse de ideia e lhe contasse o que estava acontecendo.
Helena, porém, limitou-se a sorrir.
Assim que ficou sozinha, o sorriso desapareceu.
Pegou o celular sobre a mesa e abriu a conversa. A última mensagem de Danilo continuava ali, curta e ameaçadora:
“Estou te aguardando no mesmo lugar. Não atrase.”
Helena sentiu o estômago se contrair.
Olhou para o relógio. Estava quase na hora do encontro.
Respirou fundo, guardou o celular e se levantou. Não podia mais adiar. Tinha que fazer e se livrar da ameaça que vinha consumindo seus dias.

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