Arlete estava de braços cruzados, com uma expressão que não combinava com a cordialidade que demonstrara durante a visita.
— É uma moça encantadora — comentou, mas não havia cordialidade.
Bruno não hesitou.
— Sim. Bianca é muito especial.
A mãe o observou por alguns segundos, como se procurasse confirmar uma suspeita. Depois, aproximou-se.
— Bruno, acho que está na hora de você assumir um compromisso de verdade. Você passa a maior parte do tempo trabalhando, e sua vida pessoal está ficando em segundo plano.
O sorriso dele desapareceu. Conhecia bem a mãe e sabia exatamente aonde aquela conversa pretendia chegar.
— Mãe...
— Quero que me diga uma coisa — interrompeu ela, com firmeza. — Como estão as coisas entre você e a Patrícia?
Bruno desviou o olhar por um instante.
Arlete suspirou.
— Vocês se conhecem há anos. Já passou da hora de decidirem o que realmente querem. Não são mais adolescentes para continuarem adiando essa conversa.
— Minha vida pessoal é um pouco mais complicada do que você imagina.
— Complicada ou conveniente? — rebateu Arlete.
Bruno voltou a encará-la, estreitando ligeiramente os olhos.
— Patrícia veio falar com a senhora?
Arlete ficou em silêncio por um instante. Depois, observou o filho com atenção, como se aquela pergunta tivesse confirmado uma suspeita.
— Não estou falando de Patrícia, Bruno. Estou falando daquela moça que esteve aqui hoje. Percebi como você olhava para ela. — Fez uma breve pausa antes de perguntar: — Diga-me, você sente alguma coisa por Bianca? É esse o tipo de mulher que lhe agrada?
Bruno franziu a testa, incomodado com a intromissão.
— O tipo de mulher que me agrada cabe a mim decidir, mãe.
Sem esperar uma resposta, afastou-se em direção ao interior da mansão.
Arlete permaneceu no saguão, acompanhando-o com o olhar. Conhecia o filho o suficiente para saber que insistir naquele momento seria inútil. Bruno sempre fora determinado e não aceitava que interferissem em suas decisões.
Ainda assim, enquanto o via desaparecer pelo corredor, uma certeza começou a se formar em sua mente: havia algo naquela moça que seu filho não estava disposto a admitir.
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