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Primeiro Amor na Minha Segunda Vida romance Capítulo 6

Só que ela não tinha as orelhas furadas.

Gustavo pareceu ter se lembrado apenas naquele momento: — Você não tem as orelhas furadas, não é?

— Não tem problema. — Célia fechou a caixinha com um leve sorriso. — Posso guardar e mandar adaptar para pressão depois.

Mas o sorriso não chegava aos seus olhos.

Se ele realmente se importasse, jamais teria escolhido algo que ela não pudesse usar.

— Você não gostou? — o homem franziu a testa.

— São lindos. — disse Célia. — Só não esperava que você fosse se lembrar de me trazer um presente.

A frase soou como um dengo.

O coração de Gustavo amoleceu ao ouvir aquilo.

— Da próxima vez... — ele fez uma pausa. — Da próxima vez, eu compro algo melhor para você.

Após o jantar, numa atitude rara, ele não se trancou imediatamente no escritório.

— Que filmes estão passando ultimamente? — ele perguntou. — Quer assistir a um?

Célia ergueu o olhar, detendo seus movimentos por um instante.

Gustavo sempre calculava seu tempo de forma minuciosa; fazer-lhe companhia por mero lazer nunca estava em seus planos.

Essa atitude repentina de hoje seria culpa?

Obrigada, mas dispenso.

Embora pensasse assim, Célia concordou docilmente na superfície.

As luzes da sala de estar foram reduzidas.

Quando Célia retornou com um bule de chá, Gustavo já estava acomodado em uma das pontas do sofá.

— Sente-se aqui. — ele deu batidinhas no assento ao seu lado. — De muito longe não dá para enxergar direito.

Célia sentou-se ao lado dele, separados apenas por uma pequena almofada.

A tela da televisão se iluminou.

Para quem visse de fora, aquela cena faria parecer que eram um casal apaixonado.

Vendo o sorriso forçado da esposa, ele deduziu que ela estava triste com sua partida e tentou se justificar.

— A Nina sofreu um acidente de carro, não sei como estão as coisas por lá, mas preciso ir ver. Fique tranquila, assim que eu resolver tudo, volto para casa.

— Então vá logo, o que está esperando?

No instante em que a porta se fechou, passava na televisão uma cena de declaração de amor, com efeitos sonoros estridentes.

Ela pegou o controle remoto e desligou a TV sem hesitar.

A sala mergulhou na escuridão em um piscar de olhos.

No escritório, a luminária de piso foi acesa, iluminando um canto do cômodo.

Sentada à escrivaninha, Célia acessou o computador de Gustavo com facilidade.

Desde que se casaram, ela quase nunca entrava ali por conta própria, o que fazia com que Gustavo não tivesse a menor cautela com ela. Até a senha era a mesma de sempre.

O cursor do mouse deslizou rapidamente pelos diretórios.

Ao abrir uma pasta de imagens, deparou-se com uma enxurrada de fotos de Nina. Nelas, uma Nina jovem sorria de forma radiante, enquanto o Gustavo daquela época, exalando o vigor da juventude, mantinha os olhos sempre fixos na garota.

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