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Primeiro Amor na Minha Segunda Vida romance Capítulo 3

Um silêncio sepulcral tomou conta da capela.

O rosto de Gustavo escureceu na mesma hora, e as pessoas ao redor prenderam a respiração.-

Nina ficou sem palavras, com as lágrimas rodando nos olhos, aparentando estar extremamente magoada.

Gustavo, no fim das contas, pegou uma vela, aproximou-se e a acendeu para Lauro.

Ele ficou diante do altar, com as costas retas, mas por algum motivo, sentiu um leve e inexplicável aperto no peito.

Célia não olhou para ele nem mais uma vez.

Após colocar a vela no suporte, Gustavo se virou, olhou para a silhueta esguia ajoelhada no chão, hesitou por um momento, e finalmente disse:

— Célia, eu vou ficar.

— Gustavo... — Nina de repente colocou a mão na testa, seu corpo vacilou, e ela murmurou: — Minha cabeça está girando, acho que não estou me sentindo muito bem...

A mão que segurava a manga dele tremia levemente, como se ela mal conseguisse ficar em pé.

Os dedos de Gustavo pararam no ar.

Alguns segundos depois, ele acabou amparando Nina:

— Vou levá-la de volta para o hotel primeiro. Quanto ao velório...

— Não se incomode. — Célia disse de forma apática. — Eu mesma cuido do funeral do meu pai.

Ela abaixou os olhos e falou suavemente para o retrato:

— Pai, o senhor não precisa mais esperar.

Gustavo olhou para as costas de Célia.

Por fim, ele não disse nada e saiu amparando Nina.

Os murmúrios voltaram a ecoar entre as pessoas, com vozes baixas carregadas de excitação por estarem assistindo a um espetáculo:

— Esse Sr. Menezes foi descarado demais...

— Essa Sra. Pacheco sabe mesmo o que faz, roubar o marido dos outros a esse ponto. A Sra. Menezes até que dá pena.

— Olhando bem, as duas têm traços um pouco parecidos...

Célia absorveu cada palavra sem perder uma vírgula, mas não respondeu a nenhuma.

Ela apenas estendeu a mão, acariciando repetidamente o rosto gentil no retrato do pai.

Pai, ela disse muito baixinho em seu coração, eu não confio mais nele.

Alguém se aproximou para aconselhá-la a descansar, mas ela balançou a cabeça, até que a última vela queimasse por completo e as pessoas que vieram prestar condolências fossem embora, uma a uma.

Não precisava mais ficar esperando por mensagens dele a qualquer momento, nem precisava mais esperar que ele voltasse.

Na manhã seguinte, o céu estava nublado e as nuvens pesadas e baixas.

Célia parou diante da penteadeira, encarando o rosto um tanto pálido no espelho.

Ela levantou a mão lentamente e tirou o lindo anel de diamante do dedo anelar.

Pegou o porta-joias, guardou o anel dentro, fechou a tampa, abriu a gaveta e empurrou até o fundo.

Não havia mais nada pelo que se apegar naquele casamento.

Vestiu sua roupa mais comum: um moletom cinza com capuz e calça jeans, prendeu o cabelo num rabo de cavalo baixo, pegou a bolsa e saiu.

Zona sul, um antigo edifício comercial.

O elevador rangia de tão velho, a tinta dos botões estava quase toda gasta pelas pontas dos dedos, os corredores eram repletos de pequenos anúncios colados nas paredes e cheiravam a algo indescritível.

A placa Moura Advocacia estava pendurada no fim do corredor, com uma aparência discreta, porém limpa.

A recepcionista a conduziu até uma pequena sala de reuniões. Sobre a mesa, havia um bule de chá recém-preparado, soltando vapor.

Pouco tempo depois, a porta se abriu e uma mulher de trinta e poucos anos entrou. Vestia camisa e calça social, tinha o cabelo curto penteado para trás e um olhar perspicaz.

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