— Sra. Ribeiro, certo? Eu sou Carolina Moura.
— Sra. Moura. — Célia se levantou e estendeu a mão.-
— Sente-se. — Carolina puxou a cadeira de frente para ela. — Vou primeiro entender um pouco a situação.
Ela abriu o caderno de anotações sem rodeios.
Célia respirou fundo e contou resumidamente o que havia acontecido naqueles três anos.
Ao mencionar a morte do pai, sua voz ficou rouca. Fez uma pausa de alguns segundos, esperou a respiração se acalmar e continuou a falar.
Carolina não se apressou em interromper, apenas anotava rapidamente.
Quando ela terminou, a sala de reuniões ficou em silêncio por um momento.
— O que você espera conseguir desse casamento? — Carolina ergueu os olhos.
Célia abaixou os cílios, os dedos se apertaram e depois relaxaram:
— Liberdade.
Ela fez uma pausa e então acrescentou:
— E tudo o que é meu por direito como Sra. Menezes.
— Imóveis, dinheiro, ações — eu quero tudo.
Ao dizer essas palavras, ela mesma se sentiu surpresa —
Ela não sabia que podia dizer com tanta naturalidade o que queria.
Carolina olhou para ela, com um brilho de aprovação nos olhos:
— Excelente.
Ela folheou as anotações:
— No seu caso, todos esses pedidos são exigências justas. Mas há dois problemas.
Ela fez uma pausa.
— O primeiro é que vocês assinaram um acordo pré-nupcial. Se seguirmos esse acordo, o dinheiro que você receberá será muito pouco.
— O segundo é que você não sabe qual é o valor do patrimônio dele.
— A estrutura acionária do Grupo Menezes é muito complexa, e a Família Menezes não se resume apenas ao seu marido. Precisamos descobrir com o máximo de clareza possível quais são os bens pessoais dele.
— Além disso, a Família Menezes é poderosa e rica, e gasta uma quantia astronômica todos os anos para manter sua própria equipe de advogados. — Carolina foi bem direta. — Com todo o respeito, se você pedir o divórcio agora sem nada em mãos, é muito provável que acabe saindo sem nada.
As unhas de Célia cravaram nas palmas das mãos, mas ela não disse nada para rebater.
Ela sabia que essa era a realidade.
— Então... conto com você.
Ao sair do escritório de advocacia, já começava a chuviscar do lado de fora. A chuva na zona sul sempre trazia consigo um cheiro de velhice e umidade.
Célia ficou sob a marquise, pegou o celular e abriu uma conversa na qual não clicava há muito tempo.
[Mestre, quero voltar para o ateliê.]
Ao enviar a mensagem, seu coração acelerou inexplicavelmente.
Ela estudava sob a tutela de Valter Pessoa desde a infância, por quase vinte anos, e era a última e mais valorizada discípula dele. Suas habilidades de restauração de pinturas antigas eram perfeitas, e sua técnica de pintura era ainda mais deslumbrante.
Mais tarde, ela se casou, passou a se dedicar a cuidar de Gustavo e a manter as aparências na Família Menezes, distanciando-se cada vez mais do mestre e dos colegas. Tirando os cumprimentos de datas festivas, não tinham mais nenhum contato.
Ela achou que sua mensagem ficaria sem resposta, mas, surpreendentemente, em menos de dez minutos, o celular apitou.
[Mestre: Volte quando quiser, o endereço é o mesmo.]
Uma mensagem tão simples.
Célia ficou sob a marquise chuvosa, e seus olhos começaram a arder.
Ela olhou para o céu cinzento e respirou fundo o ar úmido.
[Célia: Certo, mestre. Até amanhã.]

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