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O Sócio do Meu Marido, Meu Segredo Proibido romance Capítulo 8

Primeira Noite: POV Rachel

O quarto era silencioso demais.

Não o tipo de silêncio confortável, mas aquele que parece observar. Larguei a bolsa sobre a poltrona e fiquei alguns segundos parada, ainda de sapatos, absorvendo o espaço. Cama grande. Luz indireta. Cortinas pesadas que escondiam a cidade lá fora.

São Paulo parecia distante demais para ser real.

Tirei o blazer, pendurei com cuidado exagerado e caminhei até o banheiro. Lavei o rosto com água fria, observando meu reflexo como se procurasse algum sinal de descontrole. Não havia. Só cansaço. E uma atenção excessiva aos próprios movimentos.

Deitei ao lado de Eduard, senti o colchão afundar quando ele se virou de lado. A respiração dele se regularizou rápido demais, como sempre acontecia quando o cansaço vencia qualquer tentativa de conversa.

Fiquei imóvel, olhando para o escuro.

O quarto era o mesmo.

A cama, a mesma.

O homem ao meu lado também.

Nada tinha mudado.

E, ainda assim, tudo parecia fora do lugar.

Ouvi o barulho distante do elevador no corredor. Portas se abrindo. Passos abafados. O hotel nunca dorme de verdade — só reduz o volume.

Adrian estava no mesmo andar.

Em outro quarto.

Seguindo a própria rotina como se nada tivesse acontecido.

Fechei os olhos, incomodada com o fato de essa informação existir na minha cabeça sem ter sido convidada.

Eu sabia — com uma clareza que me irritava — que o problema não era a proximidade física.

Era o espaço que ele ocupava quando não estava presente.

Virei de lado, de costas para Eduard, e puxei o lençol até o ombro, como se isso pudesse organizar algo por dentro.

Era só uma viagem.

Só trabalho.

Mas o silêncio daquela primeira noite me deixou claro algo que eu ainda não estava pronta para admitir:

O perigo estava em perceber que, mesmo ali com meu marido ao lado, minha mente já não estava inteira onde deveria.

A manhã chegou cedo demais.

A luz cinza atravessava a fresta da cortina quando acordei com o movimento de Eduard ao meu lado. Ele se levantou em silêncio, já no modo automático de sempre, pegando o celular antes mesmo de sair da cama.

— Bom dia — murmurou, distraído.

— Bom dia.

Ele foi para o banheiro, falando algo sobre horários, trânsito, café da manhã rápido. Eu fiquei deitada mais alguns segundos, encarando o teto, tentando organizar pensamentos que insistiam em se sobrepor.

No espelho do banheiro, meu rosto parecia normal. Cansado, talvez. Mas normal. Prendi o cabelo, lavei o rosto, escolhi uma roupa discreta demais para chamar atenção — e, ainda assim, senti aquela vigilância interna que não costumava existir.

Descemos para o café juntos.

O salão estava cheio de executivos, conversas baixas, xícaras sendo pousadas com cuidado. Peguei café, frutas, algo leve demais para alguém que precisava de energia. Eduard se sentou à mesa e abriu o celular antes mesmo de tocar no prato.

Foi então que senti.

Não precisei olhar para identificar a presença.

Adrian estava ali.

Em outra mesa. Camisa clara, postura relaxada, atenção dividida entre o café e os próprios pensamentos. Ele levantou o olhar no instante exato em que me sentei.

Não sorriu.

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