Depois da porta fechar: POV Adrian
Saí da sala de Rachel sem olhar para trás.
Não por indiferença, mas porque eu já tinha visto o suficiente. O ajuste mínimo da postura quando me aproximei. A pausa curta antes das respostas. O cuidado excessivo em manter tudo correto.
Ela achava que tinha controle.
A maioria acha.
Caminhei pelo corredor com passos tranquilos, cumprimentando quem precisava ser cumprimentado, ouvindo metade do que diziam. Por fora, tudo seguia como sempre. Por dentro, eu já reorganizava o tabuleiro.
Rachel Miller não era impulsiva. Não era carente. Não era fraca. E exatamente por isso tinha despertado algo que não aparecia com frequência: interesse sustentado.
Não desejo mulheres que se entregam rápido.
Desejo as que resistem bem.
Entrei no elevador e apertei o botão do estacionamento. As portas se fecharam com um silêncio limpo. Usei o espelho para ajeitar a gravata, mas o reflexo que me veio à mente não foi o meu.
Foi o dela.
A forma como segurava a caneta como se aquilo fosse um limite físico entre nós. A aliança exposta, quase deliberada. Não como orgulho — como aviso. Rachel não queria ser confundida. Queria permanecer no lugar certo.
Homens como Eduard gostam de mulheres assim. Organizadas. Confiáveis. Previsíveis.
E é exatamente por isso que deixam de vê-las.
No carro, liguei o motor sem pressa. Não havia urgência. Pressa denuncia intenção — e eu não precisava que ninguém percebesse a minha.
Passei o resto da tarde em reuniões irrelevantes, assinando documentos, respondendo perguntas que poderiam ser resolvidas sem mim. Em cada intervalo, minha mente voltava ao mesmo ponto: o momento exato em que ela percebeu que estávamos sozinhos.
Aquele segundo.
Poucos notam. Menos ainda sabem usar.
À noite, aceitei um convite que normalmente recusaria. Bar discreto. Luz baixa. Gente demais tentando parecer interessante. Foi ali que conheci a mulher que não me deixou nenhum nome para lembrar.
Ela me reconheceu antes mesmo de eu falar. Não pelo rosto, mas pelo tipo. Mulheres sabem. Sentou-se perto demais, riu demais, tocou meu braço como se fosse íntima.
Eu deixei.
Não havia motivo para negar algo tão simples.
Ela era linda, tinha o corpo certo, correspondia com facilidade. Tudo funcionava como deveria.
Fui com ela porque era fácil.
Porque eu podia.
Porque, normalmente, isso bastava.
O quarto do hotel era silencioso demais para duas pessoas que mal se conheciam. Ela se moveu com expectativa, com aquela urgência treinada de quem quer agradar rápido. Beijos, mãos, proximidade. Tudo correto. Tudo funcional.
Mas em nenhum momento foi… suficiente.
Eu sabia exatamente o que estava fazendo. O ritmo certo, a atenção precisa, o tipo de toque que faz uma mulher relaxar antes mesmo de perceber que cedeu. Ela reagia como todas reagem quando são conduzidas com segurança, respiração alterando, corpo respondendo, aquela entrega que não exige esforço quando quem está no controle entende o caminho.
Eu a fiz se sentir desejada. Vista. Importante por alguns minutos.
Era isso que eu oferecia.
Enquanto ela falava depois — algo sobre trabalho, sobre a cidade, sobre nada — minha mente não estava ali. Estava presa em outra imagem.
Rachel.
Na forma como ela se continha.
No silêncio que ela sustentava.
No desejo que ainda não tinha sido tocado.
A mulher ao meu lado se aproximou mais, satisfeita, esperando algo que eu não tinha intenção de dar. Carinho prolongado. Permanência. Continuidade.
Eu me afastei antes que isso fosse pedido.
— Já vai? — ela perguntou, surpresa demais para esconder a expectativa.
— Preciso sair cedo — respondi, simples.
Não era mentira. Só não era sobre ela.



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